CENTENÁRIO DO POETA GERARDO MELLO MOURÃO - Jornal O Estado

Ontem, em Brasília 23 de março de 2017, com palestra do escritor e diplomata Márcio Catunda, a Associação Nacional dos Escritores – ANE, homenageou o centenário do imenso poeta, político e jornalista cearense Gerardo Majella Melo Mourão(1917-2007). Na realidade, Mourão completaria 100 anos em 08 de janeiro passado.

Sabe-se que o percurso de vida de Gerardo Mello Mourão é rico em atribulações e feitos. Seminarista maior pela Ordem dos Redentoristas holandeses, abandonou a batina pouco antes de ser padre. Em seguida, estudou Direito. Mais uma vez não concluiu o curso, tal a sua incansável busca por algo maior que ocupasse a sua brilhante cabeça.

Foi integralista. Cooptado quando Plínio Salgado levantou essa bandeira similar ao nacional socialismo. O Ditador Vargas o considerou traidor nacional e o condenou à morte. Depois, 30 anos de prisão. Cumpriu cinco anos e dez meses. Eram os tempos incertos da 2ª. Guerra Mundial.

Com a redemocratização, passou a seguir o ideário comunista de Luiz Carlos Prestes, sem largar o batente de jornalista e poeta. Fez-se deputado federal por Alagoas por duas vezes. Em 1969 foi cassado pelo regime militar. Sua folha corrida de prisões registra 18 atos de encarceramento. Apesar disso, por seu cabedal, foi Secretário de Cultura do Rio de Janeiro.

Destaca-se em sua história jornalística o tempo em que passou, como correspondente da Folha de São Paulo na China de Deng Chiao Ping, entre 1980 e 1982.

O Ceará o homenageou por duas oportunidades. Primeira, em 1993, com o Título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Ceará-UFC. Em 1996 foi agraciado com o Prêmio Sereia de Ouro, comenda maior do Sistema Verdes Mares de Comunicação.

Cedo espaço ao poeta Carlos Augusto Viana, então editor do Caderno de Cultura, quando, em 2008, refere: “A obra poética de Gerardo Mello Mourão encontra-se, em sua expressão maior reunida em dois tomos. Peãs (este implicando três livros: O País dos Mourões, Peripécias de Gerardo, Rastro de Apolo) e a Invenção do Mar. A leitura de seus versos nos põe diante de um poeta que, como poucos, de modo intrigantemente natural, o lírico e o épico, de tal sorte que tais gêneros se fundem num todo indissolúvel… Assomam, desse modo, inúmeras alusões, ecos, tecidos de textos outros num jogo intertextual utilizado pelo Autor, pois este soube, vencendo a ferrugem do templo, aliar-se à pós-modernidade.”

Lembro bem de uma das suas visitas a amigos, em Fortaleza. Era tempo da “Turma dos Sábados”. O acolhemos em nossa tertúlia com carinho, admiração e respeito.

João Soares Neto,

escritor

 

CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 3/24/2017.

JOÃO SOARES NETO

CRONISTA