AS INFORMAÇÕES, O PERIGO E A FÉ - Jornal O Estado

Hoje, a maioria das pessoas se acredita bem informada. Usa o Facebook, no qual nunca entrei, e descobre coisas como a cura do câncer, a última dieta para emagrecer 10 kg, uma oração para cada mal e por aí vai.A ONU – Organização das Nações Unidas, regiamente instalada em Nova Iorque, não atendeu aos reclamos da representante americana a mostrar fotos de mortos pelo ataque químico.

Pouca gente está interessada em saber se os Estados Unidos da América participam do teatro de guerra na Síria, por conta de ataque químico atribuído ao próprio governo sírio.

Do outro lado, a Rússia, parceira da Síria, manda mais tropas e porta-aviões para a área em conflito, onde tem base militar.

Enquanto isso, em Mar El Lago, na Flórida, os presidentes da China e dos Estados Unidos passaram dois dias juntos, para acertar as diferenças nas relações comerciais entre os dois países. Briga de foice diplomática, em meio a fotos.

Nesse mesmo período, trombeteado pelas fáceis linhas de comunicação dos dias de hoje, a Coreia do Norte brinca de potência nuclear e afirma ter aumentado o raio de alcance de seus bólidos. Sério ou não?

Assim, entramos nesta Semana Santa esperando a misericórdia para o mundo não entrar, por potência de uns e bazófia de outros, em um conflito a descambar para uma guerra de grandes proporções.

A indústria armamentista, indócil, precisa vender aviões, navios, tanques, armas, munições, meios seguros de comunicações e tudo o imaginável como: fardamentos, alojamentos, hospitais móveis, logística para alimentação em campanha e redes de Wi-Fi a permitir espionagem para quem pagar mais.

Há bases aéreas militares americanas fincadas em pontos estratégicos da Europa, sem falar do aparato existente na Turquia, a fronteira defronte ao perigo. Nem digo dos drones e dos aviões não tripulados em quaisquer hemisférios.

Enquanto isso, se desenrola os noticiários das múltiplas redes de televisão internacionais se espraiam com repórteres e núcleos estruturados em escritórios nas cidades mais importantes.

Volto ao Brasil, enquanto o mundo pega fogo. Verifico não haver consonância em nenhum dos lados da classe política. Ela, por interesses e velhos costumes, fabricou a crise ora em transe. Nada cessará com a reforma da Previdência, tampouco, com as mudanças (im) previsíveis para as eleições de 2018. O desemprego aumenta. Briga no BBB.

Ainda bem que 1/7 da humanidade é cristã e hoje, pelo menos hoje, poderá ser um dia de reflexão sobre o alinhavado acima. Não sei qual a enrascada maior. Para os que possuem fé, aconselho orar. Para os ateus, que passem a acreditar em milagres.

João Soares Neto,

escritor

 

CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 4/14/2017.

JOÃO SOARES NETO

CRONISTA