RECADO DO POVO - ROBERTO MARTINS RODRIGUES - Jornal O Estado

Recado do povo – Roberto Martins Rodrigues

“A diferença entre professores ordinários e extraordinários consiste no fato de que os ordinários não produzem coisas extraordinárias e os extraordinários não produzem coisas ordinárias”. Sigmund Freud (VI, 39).

“É preciso que venha o salvador da Pátria do salvador da Pátria /É preciso que o povo faça o basta /No domínio dos que se salvam /Sem salvar a Pátria de todos /É preciso eliminar o pecado de ter /Para que fiquem o ter e o fazer /É preciso que o poder não seja o direito dos seus /Mas a função que a felicidade social impõe /É preciso que a vontade do povo /Não esteja na última palavra /Dos primeiros na fruição dos bens que não são de cada um /É preciso sonhar /Falar /Gritar /Cantar /E dançar /No ritmo e no som do bem comum/É preciso despertar /Agir /Despertar /Destruir /Construir /É preciso fazer de verdade /A cor de o país que fez a gente nascer /Viver /Amar / Sofrer /Conviver /É preciso acreditar /”.

Os versos acima são, digamos, a primeira Ode de um poema concebido por Carlos Roberto Martins Rodrigues, o professor Roberto Martins Rodrigues, glória do magistério superior cearense, expoente máximo da Ordem dos Advogados do Brasil- Secção do Ceará e, acima de tudo, Cidadão.

“Lutar /Realizar /É preciso que, De alguma maneira,/Fazer a Pátria de todos/Cantada nas canções /Dos corações do campo /Da serra /Da cidade /Da choupana /Do chalé /Do arranha-céu /Com o riso da barriga /E o amor da convivência /Igual e maior /É preciso distribuir o que é de todos /Tomado por alguns sem sonhos /Mas engravidados /Pela ânsia do tomar e do ter /É preciso fazer de verdade a Pátria geral e feliz /”

Esse poema foi pensado em memória a José Martins Rodrigues, seu pai, Zilda Martins Rodrigues, sua mãe, Paulo Marcelo Martins Rodrigues, seu irmão e Carlos Maurício Martins Rodrigues, outro irmão. Entretanto, passado o tempo, vê-se a preocupação intrínseca com a Pátria. Essa tão maltratada, desde o Império até esta 5a República, carcomida no autoengano e no descalabro público e privado.

“Com o sofrimento do dever incontido /Reclamado /Requerido /Determinado pelo desejo /Que já é querer /É preciso ser Brasil /É preciso lutar /É preciso ser /É preciso que o amanhã da Pátria /Seja o hoje dos seus amantes /É preciso não esquecer os que foram /Os que fizeram /É preciso expulsar os vendilhões da Pátria /É preciso ser a Pátria /O seu choro, o seu sorriso /O seu grito de alerta, de exigência definitiva /É preciso ser a Pátria Pública /A Pátria para gozo de todos, com os privilégios tomados de uns /Que profanam seu nome /Sua história /Sua glória /É preciso ser Pátria /A comunidade /O seu destino.”

O crescendo de patriotismo vai sendo construído nessa tessitura livre, sem rimas, mas lançado ao Inconsciente Coletivo. Neste abril de 2017, enquanto as camarinhas políticas ficam plenas de (in) consciência e nos colocam como sujeitos passivos dessa história cuja novelo tem a ponta solta.

 

CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 4/28/2017.

JOÃO SOARES NETO

CRONISTA