O FORTALEZA E A SUA TORCIDA - Jornal O Estado

Converso com pessoa esclarecida e, sem querer, o futebol vem à baila. Ela diz: sou torcedor do “Fortaleza Esporte Clube” e creio falar por mim e alguns sócios torcedores, conselheiros, admiradores e afins. Há uma teimosia em trazer jogadores e técnicos rodados, sem nenhum amor ao Fortaleza.

Lembrem-se do jogo Fortaleza com o Ferroviário em que ganhava por 1X0 até os 46 minutos do segundo tempo. Displicência, falta de orientação, desamor e um gol do adversário. Esse empate, somado à derrota anterior, ocasionaram o clima do terceiro jogo.

Façam pesquisas e verão que o Fortaleza perdeu – ou empatou – nos últimos minutos de vários jogos. Foi assim – por algumas vezes – na Série C. Agora, também no campeonato deste ano. O gol do empate de 1X1 com o Ferroviário veio aos 46 minutos do segundo tempo. Os “estrangeiros” do Fortaleza, cansados de tantas camisas, não se importavam com o detalhe de que o jogo estava ainda em curso.

Neste ano, ficou fora da decisão contra um time que não gasta mais que 10% da folha dos jogadores e da comissão técnica do Fortaleza. Azar? Não! Incompetência, imprevidência e soberba. Tudo junto e misturado.

Agora, neste maio de 2017, resta ao Fortaleza a 3ª. Divisão do futebol brasileiro, da qual é membro há oito anos. Também há a Taça Fares Lopes. Não se pode – e nem se deve – brincar com essa torcida que já colocou mais de 63 mil pessoas em jogo, em que o Fortaleza decepcionou.

Neste Brasil desesperançado o futebol ainda é uma válvula de escape para os que se afeiçoam a um clube. A quase ausência de torcedores nestes primeiros meses do ano de 2017 mostra a falta de credibilidade na equipe. O Fortaleza foi desclassificado de todas as competições jogadas até agora por falta de competência e garra. Isso é triste e estranho para um clube acostumado a vencer.

Manter os mesmos jogadores e o técnico perdedor seria escárnio. O ideal é acreditar em meninos do sub-20, dos subúrbios e do interior do Estado e mesclar com alguns mais experientes. Isso não é poesia ou ingenuidade. É alternativa.

Se erraram durante oito anos, precisa-se, sem dúvida, mudar o que fizeram nesse período. Sei que falar, reclamar e apontar erros é fácil. A lógica, entretanto, não perdoa.

João Soares Neto,

escritor

 

CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 5/12/2017.

JOÃO SOARES NETO

CRONISTA