COMO VAI O BRAIL ? - Jornal O Estado

Estamos, desde 2015, em processo difícil e doloroso da política e da economia brasileira. Houve mudança na presidência da República, cassações, prisões e muitos são os procedimentos em curso, quase todos decorrentes de ações da Polícia Federal. Em setembro tomará posse a nova Procuradora Geral da República, Raquel Dodge.

Virou atração, a cada semana, novo escândalo, em todas as mídias, envolvendo a nata do empresariado de conglomerados na área agropecuária, da indústria pesada e da construção civil, responsáveis pela maioria das obras do governo e em empresas públicas.

Não há como não ser informado, pois são apresentados gravações, tabelas, fluxogramas e infográficos que mostram o que vem sendo praticado desde sempre. A relação era e é imbricada. Há grupos empresariais comprometidos que se tornaram e são sócios do próprio governo em aeroportos, siderúrgicas, hidrelétricas etc.

Investidores estrangeiros hão mostrado estupefação em face ao descalabro a que chegou o Brasil. Hoje, todos os indicadores de “ratings” internacionais, sejam de desenvolvimento, finanças, educação, “compliance” e os de natureza social estão, ano a ano, ficando mais baixos, mostrando involução já configurada nas gestões anteriores.

Um país continental como o nosso, pacífico por formação, não deveria ser objeto de chacota nos mercados financeiros que, sem piedade, aumentam o grau de risco para novos investimentos estrangeiros. Paralelo a isso, a indústria automobilística possui, em estoque, nos vários pátios das empresas instaladas, milhares de veículos encalhados, sejam populares, médios ou de luxo.

O mesmo cenário ocorre na área habitacional, com número superior a 50% de rescisões em contratos de aquisições financiadas de projetos em construção e, até mesmo, de obras prontas. Os prédios do “Minha Casa, Minha Vida” estão, em muitos casos, com defeitos estruturais e de acabamento. A inadimplência é elevada.

O que fazer, perguntam uns. Os economistas e administradores sérios não arriscam previsões alvissareiras enquanto perdurar a desconfiança, quase absoluta, dos eleitores na classe política.

O que se constata, por outro lado, é a extensão das operações da Polícia Federal, agora nos estados, de forma aleatória. Quando vai acabar, ninguém sabe, pois há desdobramentos em face de delações premiadas. A denuncia B que, por sua vez, denuncia C. Em represália, C denuncia A e tudo recomeça.

Este final de ano pode ser de ajustes necessários como a reforma da Previdência, ainda em fase de negociações com o Congresso Nacional. Por outro lado, aparece uma reforma Política, talvez salvadora para os atuais congressistas. Terá tramitação dupla na Câmara Federal e no Senado. Esperemos.

O Brasil está em corredor de hospital, mas não sucumbirá. O problema é o tempo em que se encontra em crise e, pessoas e empresas, não vivem no longo prazo. A cada dia o seu mal.

A única certeza, por enquanto, é que no próximo ano, haverá eleições para presidente, governadores, deputados e parte do Senado. Como será o financiamento das campanhas? Você está consciente disso?

João Soares Neto,

escritor

 

CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 8/18/2017.

JOÃO SOARES NETO

CRONISTA