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SOBRE O QUE ESCREVER NESTES DIAS - Jornal O Estado

 

 
Há uma tendência natural, a todos os que escrevem semanalmente em jornal, a enfocar o cotidiano. O Brasil, desde 2003, virou quase um país “bolivariano”, apesar de não termos o espanhol como língua nativa, tampouco tradição de guerras fraticidas.

Vou por este caminho. Simón José Antonio de Santíssima Trinidade Bolívar Palacios Ponte-Andrade y Blanco, nasceu no ano de 1783, em área de domínio espanhol que, depois passaria a ser a Venezuela de hoje.

Era filho de descendentes (creoles) hispânicos de posses. Órfão do pai aos três anos de idade. Aos nove, morreu-lhe a mãe. Teve preceptor indicado por tio abonado e, aos 16 anos, foi mandado estudar na Espanha. Aos 19 anos casa-se, em 1802, com Maria Teresa. Volve à América Latina.

Sua mulher morre em 1803. Ele, triste, faz votos de nunca mais casar. Retorna à Espanha. Poucos anos após, por atividade política, é expulso de lá e se exila na França, onde fermentavam os ideais de Igualdade, Liberdade e Fraternidade, com foco no Iluminismo.

Em 1806, volta a terra berço nesta sul América e começa a lutar pela libertação de sua pátria. Como todos sabem, em 1808, Napoleão – em sua dominação da Europa – invade Espanha e Portugal, daí a vinda fugida da família Real para o Brasil (Colônia). Bolívar participa com San Martin-José Francisco de San Martin y Matorras, argentino, descendente de espanhóis e ex-oficial da Espanha, da Confederação dos países hispânicos, a Grã-Colômbia que produz a independência do Peru, Bolívia, Equador e Colômbia.

Parte desse território passa a ser chamado de Venezuela, sob o comando de Simón Bolívar. O fundador do bolivarianismo sofreu duras penas e, por conta disso, exila-se na Ilha de Santa Marta, onde morreu aos 47 anos, em 1830. A Venezuela de hoje, em 2017, está quase em guerra civil por conta de bolivarianismo perrengue que emergiu com Hugo Chávez e permanece. Esta é apenas uma versão que conto.

Toda essa conversa foi para tentar fugir da História do Brasil que, com a da queda de Napoleão, volta da família Real a Lisboa, em 1821, levando muito mais ouro do que trouxera. O Brasil passa a ter um Príncipe Regente, D. Pedro I, ainda imberbe que, em 07 de setembro de 1822, viria a dar o “Grito do Ipiranga”. Sem nenhuma gota de sangue derramada, estabelece a separação da Colônia do Reinado de Portugal. Esse mesmo “nosso” libertador, D. Pedro I, passa, poucos anos depois, a ser D. Pedro IV, para os portugueses. A estátua dele fica no Rossio, no centro de Lisboa.

… Vem a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, outra ação pacífica entre amigos e fruto de falso boato da prisão de Deodoro. Alguns do próprio governo imperial (Rui Barbosa, inclusive), positivistas, maçons e os do comércio, formaram esse Governo Provisório que começou oferecendo cinco mil contos ao ex-Imperador D. Pedro II, que os recusou, e partiu para o exílio.

Instituiu-se um ministério com oito componentes, com civis e militares. No curto período de dois anos houve fechamento do novo Congresso, Estado de Sítio, censura à imprensa e a renúncia do 1o Presidente, que também era Grão-Mestre da Maçonaria. Estamos, neste junho de 2017, igual, melhor ou pior do que começamos?

João Soares Neto,

escritor