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O GRANDE CIRCO DE NÓS TODOS - Jornal O Estado

 

 
“Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto lutamos mal rompe o amanhã”. Drummond citado por Edmílson Caminha.

Passei, como todas as pessoas, pelas múltiplas crises brasileiras. Agora, estamos em meio a uma procela gigante. Apesar disso, posso garantir: sairemos todos dessa enrascada a nos consumir no dia a dia. A resposta não será de economistas, sequer dos grandes veículos de comunicação com grandes e pecaminosos anunciantes, dos cérebros acadêmicos e tampouco de deputados federais e de senadores. A grande vitória dessa crise em curso é a união do Ministério Público Federal com a Polícia e os juízes federais. Ao lado deles está a população brasileira. Ou melhor, a parte da população que pensa e consegue estabelecer sinapses sem o ranço partidário ou ideológico.

O Supremo Tribunal Federal – STF é a instância última e, por essa razão, há de se comportar de forma moderada, política e consequente, pois depois do STF só há o limbo ou o dilúvio. O Brasil, apesar de todos os desmandos cometidos, continua no seu processo lento de crescimento institucional e econômico, atingido, primeiro, pela ressaca da marola gigantesca de 2008. Não há, todos sabem disso, ninguém imune às crises cíclicas internacionais.

Depois, veio a Lava-Jato, quando o Brasil desejava ser um “player”(palavra dos financistas empolados e de tolos repetidores) internacional de primeira linha. Houve exagero nos financiamentos do BNDES, da Caixa, parcerias dos Fundos de Pensão etc.

A par disso, houve a megalomania em patrocinar dois grandes eventos internacionais como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas do Rio, de 2016, tudo sob o apoio da grande mídia, a de grandes anunciantes. Sem falar na Copa das Confederações, em 2013. Não precisávamos de tanto ufanismo, participar de sorteios e de desmontar estruturas de alguns estádios, muitos deles em pleno uso e com recentes reformas. A falácia dos “cadernos de encargos” e do “padrão FIFA” foi imposta de cima para baixo. Brasil afora.

Não foram só os estádios, mas vias de acesso, shows, aeroportos e tudo imaginável. A FIFA, descobriu-se em seguida, era uma grande empresa internacional dirigida por pessoas rastreadas pelos órgãos dos EEUU. Deu em prisões e banimento.

O Rio de Janeiro, da mesma forma, foi revirado de ponta cabeça, bilhões gastos por sofrível participação com algumas medalhas já perdendo a coloração. Um grande engano. O Comitê Olímpico Internacional-COI não é muito diferente da FIFA. Há muitas histórias e estórias sobre o sorteio das sedes das Olimpíadas e das copas do mundo. Jornalistas investigativos lançam livros sobre esses processos e do modo como foram escolhidas as empresas que detonaram e reconstruíram estádios. Falar do passado é fácil. Só um cego em gestão pública não sabe que um país em desenvolvimento há que se concentrar em áreas carentes como saneamento básico, infraestrutura, habitação e educação. A “pujança” e exibicionismo acabaram mal. Todos conhecem os desdobramentos dos fatos.

Essa minha reiteração patética não é em vão. Apesar dos pesares, sairemos desse e demais malogros compartilhados com os mesmos órgãos de comunicação que hoje fustigam a todos com os desdobramentos dos bravos e preparados trintões, quarentões e cinquentinhas da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça Federal de 1º. Grau. Alguns, que deitam falação, e são meros coadjuvantes, desses circos armados em que nós todos fomos tratados como palhaços. A certeza é que a impermanência vence.

João Soares Neto,

escritor