MARIA E PAUL

Maria era a jovem venezuelana morena, encarregada da limpeza. Paul, um quarentão descendente de irlandês, sardento, cuidava da segurança da empresa, que ocupava todo o andar. Há muito, estavam envolvidos e ninguém notava. Disfarçavam bem, nem olhavam um para o outro na frente de estranhos. Eram obrigados a chegar cedo. Ela, para fazer a limpeza dos banheiros, copa e salas, reabastecer as máquinas de fazer café e limpar as grandes janelas de vidro. Ele, para checar o equipamento de segurança, que o obrigava a seguir uma rotina de desligar os alarmes, acionados na noite anterior, e reprogramar as câmeras de vídeo para o dia de trabalho que começaria às dez horas. Eram senhores absolutos do andar por aquelas breves horas e corriam contra o relógio para terminar o trabalho e terem tempo de fazer o amor diário.

Sobravam pouco mais de 20 minutos, sabiam eles, mas era o suficiente, pois os seus corpos tinham uma química que os enlouquecia em segundos.

Travou, por segurança, a porta principal, e esperou que Maria passasse com o lenço cobrindo os cabelos e aquele avental preto com bordas brancas. Lá vinha Maria fingindo que não sabia que ele estava atrás da cortina. Era um ritual que variava de lugar, mas terminava sempre no chão de linóleo ou na mesa da pequena área de serviço. Hoje, ele faria diferente. Maria passou faceira e ele saiu detrás da cortina. Puxou-a pelo braço e a beijou com sofreguidão. Ela, como sempre, fingia que não aceitava, e isso o excitava mais. Hoje, seria diferente, repensava ele. Enquanto ensandecido, arrastava-a para a fofa poltrona de couro da sala de reuniões. Colocara um spray à mão para espargir o odor de amor que, porventura, ficasse no ar. Era um homem cuidadoso, acostumado com segurança e tinha que pensar em detalhes.

Ali, naquelas alturas, podiam ficar à vontade, ninguém os espreitaria. Só se viesse dos céus, pensara rindo. Teve a audácia de acionar o botão da cortina automática. O clarão do sol quase os cegou e ele divisou ao longe New Jersey, onde morava com a mulher e os três filhos. Era melhor não pensar nisso agora. Fechou a cortina.

Maria levantou a saia e deixou que ele puxasse a sua calcinha amarela com a cara de onça. Ele já estava pronto e segurava a gravata com os dentes enquanto arremetia. Gemiam em uníssono num crescendo até atingir o orgasmo glorioso, que se transformou em um grande estrondo.


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