A ORELHA DO PEDRO


O Pedro José Negreiros de Andrade e eu somos companheiros matutinos há anos. Andamos, procurando a forma física que nunca teremos, trocamos prosas e, aqui ou acolá, temos a tola pretensão de alterar o mundo. E o que fazemos de concreto: lemos e escrevemos. E o Pedro, médico-cardiologista, professor universitário devotado e escritor diletante, não se esconde no que escreve, mas o que ressalta em seus artigos é o seu aggionarmento, a contemporaneidade e a atitude diferenciada.

 Ele não é só o médico e professor, mas um espécime raro, um ‘woodstockiano’ ou virtual espadachim do bem em pleno fim da primeira década do Século XXI, este que nos acena com longevidade, mas não nos diz como apascentar nossas almas inquietas. E a alma inquieta de Pedro José juntou seus escritos em ‘Ensaios politicamente incorretos” em que se espelha na Revolução Francesa para chegar às deformações da burocracia soviética.

Crítico atilado e inconformado com as leis de cotas para estudantes não brancos neste país mulato, Pedro afirma: “O chamado estatuto de igualdade racial, assim como as leis de cotas deveriam ser chamadas de estatutos da desigualdade racial”. E explica por que: “raças não existem em um país profundamente miscigenado como o nosso”. Mas, o médico e o professor também dão as caras, quando, entre outros escritos, elabora regras para evitar que se conduza mal um caso médico mostrando os caminhos do erro aos que falam de forma complexa e dão pouca atenção à queixa do paciente.

Fica em dúvida, mas absolve, por sua latinidade, a Fidel Castro e até dá sugestão para reformular a Copa do Mundo, tentando acabar com os empates nas prorrogações da finalíssima, recomendando a substituição de todos os jogadores, mas admitindo a decisão por penais.

Pedro é: tão destemido que me pede para escrever a orelha de um livro seu que a transcrevo em jornal com o objetivo de anunciar, antecipadamente, a todos os seus colegas médicos cardiologistas, amigos, alunos, colegas de docência da Faculdade de Medicina, que vem aí mais um livro de Pedro Negreiros um especialista genérico, um professor difuso, um cardiologista apaixonado por idéias intricadas que vão mexer com sua adrenalina por escrever o que lhe apraz, sem medo de variações sistólicas ou diastólicas de terceiros.

João Soares Neto,
cronista

 

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