NATÉRCIA

     Ao pé da porta, ainda cheirando à tinta, a nova versão de “Por terras de Camões e Cervantes”. Releio e fico atônito. Atrever-me a comentá-la, após a releitura das críticas de Benevides, Carvalho e Pinto, é uma sandice. E o que sou, se não mero escrevinhador delas? Por não bem ser do ramo, permito-me. Ou por não saber, o que fazer?

      Você é uma mulher de olhos grandes e, como querem os indianos, tem um terceiro olho. Pois bem, com três olhos é covardia. Tinha que gerar o que saiu em 98 e agora revive tão bem aquinhoado com as mãos, arte e benquerença de Azevedo e Jesuíno.

      Outra mulher de olhos grandes, Florbela Espanca, de uma das terras onde você pisou com carinho e ancinho, disse: “Fui pela estrada a rir e a cantar, as contas do meu sonho desfiando... e noite e dia, à chuva e ao luar, fui sempre caminhando e perguntando...” Essa é você, sem tirar, acrescentando a escrita.

      Há tanto bordado no escrito por você. Cada palavra é um ponto e o contexto mais que um nó. Arte, estética ou poética? Sei lá. Sei que é.

      A carta pelos caminhos de Luís e Miguel é a mais longa entre tantas que precisam deixar de repousar e tornarem-se belas inquietudes escancaradas. Med ou Mak...

      Obrigado por ser do seu ninho, fora do Minho.


João Soares Neto,
Administrador e escritor


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