JOÃO SOARES NETO ENTREVISTA JOSÉ DIAS DE MACEDO

José Dias Macedo é um homem simples, afável, inteligente, cativante e hígido para os seus 83 anos. Construiu um dos grandes impérios do Ceará e dele se poderia dizer que é um “tycoon”, mercê de sua visão antecipada do futuro. Nós somos próximos, apesar de distantes, e sempre que nos encontramos a conversa é longa e amena. Ele, com seu cavalheirismo, destaca qualidades que não possuo. Em um fim de semana recente, falei a ele sobre a idéia de entrevistar gente que conta e que ele, certamente, seria um deles. Vai daí, depois de coçar a cabeça, ele me respondeu a tudo que perguntei, do jeito que ele aprendeu a ser.

JOÃO SOARES NETO: Por qual razão o filho de Manoel e Georgina não foi ser guarda-livros, funcionários dos Correios ou bodegueiro em Camocim?

JOSÉ MACEDO: Meu pai foi criado na selva amazônica e era um homem de muita fibra. Órfão de pai aos 9 anos e de mãe aos 12 anos, tinha a inteligência de desejar que os filhos estudassem. O mais velho foi estudar na Argentina, em Rosário, com um tio que era cônsul do Brasil e não tinha filhos. O segundo, Antônio Macedo, estudou em um colégio de Sobral, já que em Camocim só tinha o curso primário, e depois se formou em Direito pela Universidade Federal do Ceará. O terceiro migrou para Fortaleza a fim de trabalhar e fazer o curso de contador. Depois, conciliando trabalho com estudo fez o curso de agrônomo. E assim cada um procurou se preparar para a vida. A minha vocação sempre foi para o comércio. Desde garotinho ajudei meu pai como balconista.

JOÃO SOARES NETO: A estrada entre Camocim e Fortaleza foi uma reta ou teve muitas curvas?

JOSÉ MACEDO – A mudança para Fortaleza foi idealizada pelo meu pai. Ele descobriu que não podia continuar mandando os filhos para estudar fora e vendeu tudo o que tinha para comprar um pequeno hotel. Dizia que tendo um hotel como negócio seria mais fácil assegurar casa, comida e roupa lavada. O Hotel Moreira foi, portanto, uma base para que dos onze filhos os sete mais novos tomassem seus rumos.

JOÃO SOARES NETO: Como era a cidade de Fortaleza quando da sua chegada?

JOSÉ MACEDO: Fortaleza já tinha foro de capital. Tinha bonde, bairros e luz elétrica gerada à custa de lenha que vinha do sertão pela estrada de ferro. Era uma cidade pitoresca, com a iluminação pública a gás. O gasômetro ficava ali no início da rua Barão do Rio Branco, nas proximidades da praia. E havia um “contrato” com a lua, que quando ela passava a clarear a iluminação dos postes não era acionada. Recordo que nas noites enluaradas a moçada se dirigia de bonde até a Praia de Iracema para passear nas horas de maré baixa. Era um ambiente muito poético, muito interessante. Já existiam todas as praças centrais, a Praça do Ferreira, General Tibúrcio, José de Alencar, Praça da Lagoinha. O centro da cidade já tinha o Excelsior Hotel, o cinema Majestic, o Theatro José de Alencar. Todos os colégios principais já existiam, o Liceu do Ceará, o Colégio Cearense, o do professor Castelo, o da Imaculada Conceição, das Dorotéias, a Escola Normal.

JOÃO SOARES NETO: Porque a Dona Maria entre tantas marias?

JOSÉ MACEDO: Por ocasião da inauguração do Cine Diogo, com o filme Balalaica, eu assisti aquela avant-première com a idade de 21 anos. Era um momento em que eu estava desejoso de arranjar uma namorada com quem pudesse me casar. Tive uma sensação de paixão, talvez por influência do filme. O certo é que depois tomei conhecimento de que a Dona Maria tinha assistido àquela mesma seção, no mesmo horário em que eu estava. Na época eu trabalhava como agente comercial e, poucos dias depois, estava na Praça do Ferreira quando vi passando de luto uma moça branquinha de olhos azuis e fiquei profundamente impressionado. Perguntando a um senhor que conversava comigo se ele sabia quem era aquela moça, ele respondeu que se tratava da filha do Proença, que morava no Jacarecanga. Naquele momento eu cursava no Liceu o pré-técnico e toda noite eu ia de bonde do Centro até a Praça do Liceu. No intervalo de aula eu estava dando uma volta na Praça Fernandes Vieira, quando passaram três moças caminhando na minha frente. Identifiquei aquela mocinha de preto que eu havia visto na Praça do Ferreira dias atrás. Passei a acompanhá-las. E as duas amigas, que eram bastantes extrovertidas, ficaram olhando para trás. Resolvi falar do meu interesse pela que estava de luto. Foi o suficiente para que ela, na sua timidez, fosse para casa. Mas a amiga, que era irmã de um colega meu de Liceu, me abordou perguntando se eu queria ser apresentado à Maria. E assim começou o namoro.

JOÃO SOARES NETO: A cabeça de menino pobre ajudou você a crescer ou foi um empecilho?

JOSÉ MACEDO: Embora eu morasse em uma casa simples e fosse um menino pobre, nunca senti essa pobreza porque sempre fui muito bem alimentado e contei com a convivência de uma família com muitos irmãos e tios. Contei também com pai e mãe muito empenhados com a formação dos filhos. Nasci em uma cidade praiana e na praia tem sempre o que comer. Tem também muito espaço para a gente se divertir. Costumávamos atravessar o rio Coreaú numa canoa à vela para ir tomar banho de água doce nas lagoas formadas entre as dunas. Existiam muitas lagoas. Como a gente tomava banho pelado, os meninos ficavam separados das meninas. Cada qual em uma lagoa. Na época de caju, a gente se reunia para chupar caju e assar castanha. Meu pai sempre levava a gente para passar as férias em um lugarzinho perto de Massapé, chamado Riachão, por onde passava a estrada de ferro, e ali a gente tinha contato com outras pessoas. Era muito bom. Camocim, comparado com Riachão, era uma cidade avançada, tinha porto e o trem estacionava dentro da própria gare. Era uma festa a espera do trem nos dias de domingo. Quer dizer, fui um menino pobre, mas com uma infância muito saudável.

JOÃO SOARES NETO: Se existiu, quem foi a mão que o ajudou no começo? De que forma?

JOSÉ MACEDO: A partir dos 12 anos o meu irmão Antônio Macedo, que residia em Fortaleza e era estudante de Direito, passou a ser o meu guia cultural e religioso. Lembro que ele me colocou para ser congregado mariano, onde aprendi a importância dos gestos de humildade. Lembro também de um momento em que Antônio Macedo me deu um apoio decisivo para a minha auto-estima. Foi quando fiz Exame de Admissão no Colégio São Luís, que era particular, e no Liceu do Ceará, que era público. Pelas notas, em passei no Liceu, mas fiquei entre os excedentes. O Colégio São Luís pertencia ao senador Menezes Pimentel e ficava na avenida do Imperador com rua Liberato Barroso. Então meu pai disse que não podia pagar a mensalidade no Colégio São Luís e que eu iria estudar em um grupo escolar. O Antônio Macedo me viu chorando e disse que eu fosse na Formosa Cearense, uma alfaiataria de dois italianos, o José e Vicente Cunto, e mandasse fazer a minha farda para estudar no São Luís. Não sei como ele se resolveu com o meu pai, mas fiz o primeiro ano na escola particular e no ano seguinte mudei para o Liceu. O Antônio Macedo me tornou sócio do Náutico. Eu era o sócio de número 111. O cuidado que ainda hoje tenho de fazer exercício físico foi ele quem me incentivou ao me presentear com o livro do “Método Müller” de ginástica sueca. Ele foi de uma importância extraordinária em muitos períodos da minha vida. Foi, inclusive, o portador da carta que abriu a nossa negociação com a Willys Overland, para que passássemos a ser importadores e revendedores de jeep no Ceará. A segunda pessoa que teve uma influência destacada em minha vida foi o meu padrinho José Torquato. Ele tinha uma casa de ferragens, percebeu a minha vocação para o comércio e me arranjou um emprego de caixeiro. Eu passava o dia trabalhando em pé por trás do balcão, mas nem por isso deixei de estudar à noite, mesmo que fosse assistindo a primeira aula, cochilando na segunda e dormindo na terceira. Anos depois o José Torquato financiou a compra de um barco para que eu pudesse comprar açúcar em João Pessoa e trazer para Fortaleza. A terceira mão foi do meu cunhado Carlindo Cruz que, quando eu completei 20 anos, me convidou para ser seu sócio na firma Carlindo Cruz & Cia, onde nasceu o Grupo J. Macedo.

JOÃO SOARES NETO: Até que ponto a sua fé foi importante na sua trajetória?

JOSÉ MACEDO: O meu sonho era ser dono de um empório. Eu achava esse nome bonito. Um empório era um armazém de secos e molhados, que tinha de tudo. Fui sempre um otimista, um homem de fé. A minha fé sempre foi muito importante para me ajudar a praticar meus sonhos e para me ajudar a superar os períodos de crise nos negócios. Na vida empresarial a gente passa por muitas fases críticas e é preciso ter fé para continuar trabalhando até vencer as dificuldades.

JOÃO SOARES NETO: JOSÉ MACEDO e Jeep começam com “J”. O que representa um jeep?

JOSÉ MACEDO: A obtenção da representação do jeep em 1947 representou um salto imenso para a organização. Foi um fator determinante para o crescimento de J. Macedo. O jeep simboliza o primeiro movimento de impulsão para o que seria a organização J. Macedo. Ainda hoje preservo dois desses carros comigo. Um, ano 1951, que representa a primeira fase, e outro, de 1982, o último que a Ford fabricou no Brasil e eu ganhei de presente da fábrica.

JOÃO SOARES NETO: O trigo é um vegetal, um insumo básico para movimentar moinho, uma farinha para produzir alimentos ou uma fonte de sonhos e conquistas?

JOSÉ MACEDO: Graças ao sucesso que tivemos com a importação de jeep, criamos fôlego para fazer a importação de 80 mil sacas de farinha de trigo dos EUA. Iniciamos aí o nosso segundo grande salto. Posso dizer que o trigo foi uma grande fonte de sonho que se transformou numa gigantesca conquista e hoje é praticamente a atividade responsável pelo crescimento da nossa empresa.

JOÃO SOARES NETO: O que é, na sua visão, uma família?

JOSÉ MACEDO: Fui criado em um ambiente de família cristã, com avô, pais dedicadíssimos, tios, uma irmandade de onze irmãos, dos quais uma mulher, e hoje sou um patriarca com oito filhos, 29 netos e 18 bisnetos. A família é para mim uma coisa maravilhosa abençoada por Deus e responsável pelo crescimento e pela ordem da sociedade.

JOÃO SOARES NETO: Que pessoa o deixou, literalmente, sem fala? Por quais razões?

JOSÉ MACEDO: Meu irmão Antônio Macedo, quando patrocinou a continuação dos meus estudos ao me matricular no colégio São Luiz.

JOÃO SOARES NETO: Chora mais por tristeza ou alegria? Dá para explicar?

JOSÉ MACEDO: Acho que predominantemente choro por alegria, mas eu me emociono muito e também choro de tristeza. Outro dia, perdi um grande amigo, o Antônio Sampaio, e chorei muito.

JOÃO SOARES NETO: A vida é um desafio ou destino para um empreendedor? O que é um empreendedor?

JOSÉ MACEDO: Acredito que o meu destino tenha traçado a minha vocação de empreendedor compulsivo me dando coragem para enfrentar grandes desafios. Empreendedor é aquele que está sempre buscando novas realizações e disponível para enfrentar as inevitáveis adversidades. Quando eu era menino, no Hotel Moreira, eu já numerava as galinhas, como hoje fazemos com as avestruzes na Fazenda Canhotinho. Meu pai viajou certa vez para o Rio de Janeiro e me deixou tomando conta do hotel. As tábuas do assoalho estavam gastas e nas emendas soltavam pedacinhos de madeira, causando um incômodo para quem freqüentava o restaurante. Quando papai chegou de viagem eu tinha trocado tudo. Tinha falado com o seu Afonso Cavalcante, que era dono de uma serraria na esquina da rua Guilherme Rocha com avenida Tristão Gonçalves, para mudar o piso. Era ele quem recebia o aluguel em nome do dono do prédio do hotel e eu o convenci a fazer a reforma. Considero a minha atitude um comportamento ousado para um menino daquela idade e com pai tão rigoroso. À proporção que as coisas foram andando, há de se refletir quantas experiências de negócios foram feitas. Ao longo desses 65 anos de J. Macedo, desativamos mais de 30 empresas. Quer dizer, para construir uma organização duradoura tivemos que aprender a nos desfazer de muitas coisas que sonhamos e, ao mesmo tempo, não deixar nunca de sonhar nem de ir sempre fazendo coisas. Agora mesmo, no final de dezembro, acabamos de selar um entendimento com a Bunge Alimentos, que vai possibilitar a dinamização do nosso negócio na área de consumo e a nossa presença efetiva em todos os recantos do País.

JOÃO SOARES NETO: Café preto e pão o fazem feliz?

JOSÉ MACEDO: Sempre gostei de tomar café com pão e manteiga. Ultimamente não tenho mais tomado porque não faz parte da minha dieta.

JOÃO SOARES NETO: De que teve medo e não tem mais?

JOSÉ MACEDO: Não é bem uma questão de medo, mas com a idade a gente vai ficando mais cauteloso ao notar que vai reduzindo os reflexos e as competências.

JOÃO SOARES NETO: Se fosse prefeito de Fortaleza, o que faria pela cidade?

JOSÉ MACEDO: Trabalharia para desestimular o quanto possível a formação de novas favelas.

JOÃO SOARES NETO: O dep. JOSÉ MACEDO era um lobbista ou tinha vocação política?

JOSÉ MACEDO: Nem uma coisa nem outra. Fui quase obrigado a me candidatar em função da morte súbita do meu irmão Antônio Macedo. A bem da verdade, em 1958 eu já era um empresário com condições e queria premiar o meu irmão por tudo o que ele tinha feito por mim. O Governador Raul Barbosa, que tinha sido colega dele na Faculdade de Direito, foi quem me convenceu a fazer a campanha do Antônio Macedo, dizendo que ele era muito bem preparado e que seria um grande quadro na Câmara Federal, podendo chegar a ser Ministro da Fazenda. O Raul tinha essa convicção e eu concordei. Fizemos um almoço no Coité, com a presença do Raul Barbosa e do Waldemar Alcântara, e lançamos a candidatura do Antônio Macedo. Só que ele morreu com poucos dias depois de ver registrada a sua candidatura. Recebi uma pressão do Raul Barbosa para ser o candidato no lugar do Antônio e foi assim que ingressei na vida política.

JOÃO SOARES NETO: O que pensa dos que pensam que sabem tudo?

JOSÉ MACEDO: Acho que muitos confundem saber com orgulho excessivo do próprio conhecimento. Tenho aprendido que quanto mais adquiro conhecimento mais me capacito para perceber o quanto preciso aprender.

JOÃO SOARES NETO: Filhos, o que são? E netos?

JOSÉ MACEDO: Nasci para ser um patriarca e como tal mantenho um relacionamento de permanente cordialidade com meus filhos, netos e bisnetos.

JOÃO SOARES NETO: JOSÉ MACEDO tem 30 anos em 2003. Sem dinheiro e sem contatos. Ficaria aqui, tomaria um Ita para o Norte ou um pau-de-arara para o Sul? Por que?

JOSÉ MACEDO: O meu cearensismo é de tal ordem que até os 47 anos eu não admitia abrir qualquer negócio fora do Ceará. Somente em 1966 aceitei iniciar a expansão dos negócios com a compra de um moinho em Natal. Tendo 30 anos hoje eu ficaria aqui, como fiquei e, independente de onde estejam os negócios, conservamos a sede do grupo em Fortaleza.

JOÃO SOARES NETO: Acredita no planejamento da sucessão empresarial ou isto é invenção?

JOSÉ MACEDO: Acredito. Tanto que planejamos e executamos a sucessão empresarial já há alguns anos. Razão pela qual passamos a presidência dos moinhos para o Amarílio Macedo. Já fizemos, inclusive, uma holding familiar, definindo antecipadamente o problema de herança.

JOÃO SOARES NETO: São Paulo é um destino, um porto de chegada ou um bilhete de volta? A J. Macedo vive melhor por aqui ou por lá?

JOSÉ MACEDO: J. Macedo é um grupo de atuação nacional que mantém o comando estratégico e operacional no seu lugar de origem.

JOÃO SOARES NETO: Quais os executivos que mais o impressionaram em suas empresas. Por quais razões?

JOSÉ MACEDO: Registro dois nomes: César Montenegro e Byron Queiroz. Nos anos 50, quando passamos de J. Macedo & Cia para Sociedade Anônima, César foi o nosso grande coordenador e conselheiro. Anos depois, já na fase de empresa grande, o Byron chegou a ser um dos nossos vice-presidentes, com atuação de grande importância dentro da organização.

JOÃO SOARES NETO: Sobrenome ajuda filho ou atrapalha?

JOSÉ MACEDO: No nosso caso não identifico situações que possam exemplificar qualquer dos casos.

JOÃO SOARES NETO: A morte é um encontro de contas ou um fato determinista? Por que?

JOSÉ MACEDO: É um acontecimento natural.

JOÃO SOARES NETO: Quais os políticos brasileiros que merecem nota dez?

JOSÉ MACEDO: Não sei se necessariamente com nota dez, mas destaco os presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Castelo Branco.

JOÃO SOARES NETO: Suas viagens à clínica da Dra. Ana Aslan foram importantes para a sua saúde?

JOSÉ MACEDO: Nunca estive na clínica da Dra. Ana Aslan, nem sequer a conheci. Freqüentei durante alguns anos uma clínica médica de uma pequena cidade da Alemanha onde me submetia a processos de desintoxicação. Foi bom para a minha saúde, entretanto, atribuo a minha robustez à prática de ginástica desde criança, ao fato de não ser fumante, de beber moderadamente, como faço ainda hoje tomando uma taça de vinho na hora do almoço, e de sempre manter a mente ocupada.

JOÃO SOARES NETO: Há algum livro que tenha relido? Por que?

JOSÉ MACEDO: Releio e propago sempre um livrinho milagroso intitulado A Fonte da Juventude. Através dele descobri e pratico diariamente os cinco ritos dos monges tibetanos.

JOÃO SOARES NETO: Qual seria o seu convidado único, entre os nomes abaixo, para um fim-de-semana na Fazenda Canhotinho? José Mindlin, Antônio Ermírio de Moraes, Olavo Setúbal ou Carlos Francisco Jereissati? Dá para explicar?

JOSÉ MACEDO: Convidaria com a maior satisfação o Antônio Ermírio de Moraes. Cidadão exemplar como filho, irmão, pai e tio. Antônio Ermírio é o líder de um grande clã e de uma grande organização empresarial.

JOÃO SOARES NETO: O que lhe deu mais prazer: vender carros, moer trigo, fazer farinha, produzir transformadores, criar tintas ou ver o gado crescer?

JOSÉ MACEDO: O que me dá mais prazer é realizar, construir e inovar.

JOÃO SOARES NETO: O marca-passo mudou o seu passo? Mudou-se, por quais razões?

JOSÉ MACEDO: Uso marca-passo há 18 anos e creio que ele é um dos principais fatores da minha longevidade.

JOÃO SOARES NETO: A responsabilidade social convive com JOSÉ MACEDO desde quando? Quais as marcantes obras sociais da J. Macedo?

JOSÉ MACEDO: Por toda a minha vida empresarial tenho procurado enxergar e praticar o que a empresa pode contribuir para o desenvolvimento da sociedade e do País como um todo. Temos desenvolvido ações em escolas; cursos de qualificação profissional; pagamos o 13º salário antes de ser uma obrigação; sempre tivemos cuidado com o meio ambiente; incentivamos ações de cidadania e apoiamos à cultura. Tudo isso sem desviar o nosso compromisso com o pagamento das obrigações tributárias e oferecer produtos e serviços de qualidade.

JOÃO SOARES NETO: Lula é palanque ou palácio? Por que?

JOSÉ MACEDO – O Lula para mim foi uma grande surpresa positiva. É um homem simples com uma visão de mundo e de comando bastante arraigada. Não votei nele, mas acredito que a maioria dos eleitores brasileiros fez a melhor escolha.

JOÃO SOARES NETO: Jovens querem ouvir advertências e conselhos. O que diria a eles?

JOSÉ MACEDO: Vejo muitas vezes os jovens universitários sonhando com o diploma e vejo poucos se esforçando para merecê-lo. A turma jovem deve se divertir, gozar a vida e pensar em ganhar dinheiro, mas tem que se preparar convenientemente para isso.

JOÃO SOARES NETO: Das viagens que fez pelo mundo, o que trouxe de importante para a realidade de seus negócios?

JOSÉ MACEDO: Quanto mais ando pelo mundo mais tenho a convicção da importância de fortalecermos as empresas brasileiras. E isso sempre me deixou mais estimulado para a criação de novos empreendimentos.

JOÃO SOARES NETO: Como perdoar a quem não perdoa?

JOSÉ MACEDO: Recorrendo à oração do Pai-Nosso: “perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”.

JOÃO SOARES NETO: Entidades de classe e partidos políticos ajudam ou atrapalham?

JOSÉ MACEDO: Considero as instituições democráticas indispensáveis, com seus méritos e defeitos. Têm melhorado, as pessoas estão trabalhando mais. Sempre existiram os políticos bem-intencionados, mas agora vemos uma pressão maior por parte da sociedade, existe mais cobrança, mais denúncias e em compensação mais trabalho.

JOÃO SOARES NETO: O Ceará tem futuro? Se governador, como fazer para mudar o que está aí?

JOSÉ MACEDO: Tanto acredito que o Ceará tem futuro que há 65 anos investimos aqui. Acho que o Ceará tem crescido bastante e, como governador, eu procuraria cada vez mais identificar e valorizar as nossas vocações naturais e culturais.

JOÃO SOARES NETO: Quem, na sua ótica, fez história e ninguém sabe?

JOSÉ MACEDO: Virgílio Távora é menos reconhecido do que deveria.

JOÃO SOARES NETO: O dinheiro soma, divide ou multiplica? Por quais razões?

JOSÉ MACEDO: O dinheiro em si nem soma, nem divide, nem multiplica. Ele depende da cabeça de quem o utiliza.

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