JOĆO SOARES NETO ENTREVISTA MAURO BENEVIDES

Mauro Benevides é de família política. Seu pai foi duas vezes deputado estadual, uma delas, substituindo o filho que se candidatara ao senado. É formado em direito, filosofia e provisionado em administração e jornalismo É o político mais longevo do Ceará. Não necessariamente, em idade, mas em atuação política. Começou em 1955, há exatos 54 anos, como vereador de Fortaleza, pelo velho Partido Social Democrático. Na eleição seguinte, já era deputado estadual. Foi reeleito e escolhido presidente da Assembléia Legislativa do Ceará. Obteve, já no MDB, a única facção que integrou a partir da reforma partidária, vitória expressiva para Senador da República, atingindo a presidência do Congresso Nacional e do Senado, ocupando, inclusive – em interinidade - a Presidência da República, Hoje é deputado Federal.
A herança que recebeu do pai, repassou para os filhos. Régis já foi vereador em Fortaleza. Mauro Filho tem sido, sucessivamente, eleito Deputado Estadual. Seu filho mais velho, Carlos Benevides, foi Deputado Estadual e Federal, sendo hoje empresário. Mais não digo para que vocês possam ler as respostas na linguagem castiça de Mauro Benevides que, véspera dos 80, é ainda um dos mais assíduos na tribuna da Câmara Federal. Ia esquecendo, é candidato à reeleição em 2010.
João Soares Neto, junho de 2009

JOÃO SOARES NETO: Qual a sua origem familiar. Quem eram seus pais e o que faziam?

MAURO BENEVIDES: A origem identificada da família Benevides seria Souza, na Paraíba, com deslocamento para Mombaça – e no que tange ao meu ramo – a Pacatuba, no sopé da Serra da Aratanha, cidade na qual se vinculou o meu avô, Artur Feijó Benevides e onde nasceu o meu pai, Carlito Benevides. A minha mãe é originária do Sertão Central, em Quixeramobim, ali nascendo filha do médico Dr. Francisco Cabral de Melo, de ascendência portuguesa, radicado no Ceará, com residência fixa em Pacatuba.
O meu pai, proprietário de um mini-consorcio de farmácias - Belém, Teodorico e Popular – exerceu atividade política, elegendo-se por duas vezes, deputado estadual: a primeira delas (1935) sob a legenda da Liga Eleitoral Católica e a segunda pelo Movimento Democrático Brasileiro (1974). Neste ano, consagrei-me vitorioso na competição para o Senado Federal no maior desafio que o destino me impôs, confrontando-me com a poderosa Arena e enfrentando um prestigioso deputado federal Edilson Távora, de saudosa memória, com ostensivo apoio do governador Cesar Cals. A minha mãe, interna no tradicional Colegio da Imaculada Conceição, diplomou-se professora, sem haver exercido magistério, embora possuísse aptidões para fazê-lo.

JOÃO SOARES NETO: Como foi sua infância na Fortaleza dos anos 30?

MAURO BENEVIDES: Na convivência com primos e amigos, deleitava-me viajar de trem para Pacatuba, acompanhado de parentes e permanência nos feriados mais prolongados na Fazenda Tamboatá, em Água Verde, de propriedade do meu tio, Eduardo Benevides, que, por três vezes, ascendeu à Prefeitura daquela comuna.

JOÃO SOARES NETO: Quais as lembranças do seu tempo de estudante do Colégio Cearense?

MAURO BENEVIDES: A convivência com os Irmãos maristas, após cursar o Colégio Farias Brito – então sob a direção de João Cesar e Ari de Sá Cavalcante – impôs-me comportamento ético, adotado ao longo da existência.
Como insuperável Mestre de Classe, recebi paternal orientação do espanhol, Irmão Urbano Goonzalez, a quem conferi, anos depois, o título de Cidadão Cearense, mediante projeto que resgatava o agradecimento de nossa geração a um religioso de privilegiada acuidade para atender aos anseios da juventude. Ali, no Grêmio José de Alencar, fiz, formalmente, os primeiros discursos – um deles modesto roteiro biográfico do autor de Iracema, autêntico prurido de tímida vocação para a literatura e à pesquisa histórica.

JOÃO SOARES NETO: A sua formação religiosa o levou a integrar a União dos Moços Católicos, na Rua Barão do Rio Branco. O que era a UMC?

MAURO BENEVIDES: Na simultaneidade de atividade universitária, em Direito e Letras, vinculei-me à União de Moços Católicos, a convite, dentre outros, do saudoso Amorim Sobreira, com quem me aconselhava intelectualmente, enquanto ao Padre Perdigão Sampaio compartilhava as angústias naturais da juventude.
Eleito Presidente e, por quatro vezes, reconduzido ao cargo, por unanimidade dos consócios, de lá sai para postular Mandato de Vereador, com o lema de "um líder em defesa dos postulados cristãos".
Iniciava, por essa via, a trajetória política escalonando o primeiro degrau da hierarquia legislativa, sob a legenda do Partido Social Democrático, obtendo, na ocasião, 996 sufrágios – o segundo no computo de todos os postulantes.

JOÃO SOARES NETO: Quais as razões da opção pela carreira de Direito? Por que a complementação em filosofia e provisionamento em Administração e Jornalismo?

MAURO BENEVIDES: O mais novo dos meus tios, Artur Eduardo Benevides, com quem dialogava freqüentemente, ingressara na nossa tradicional Salamanca e apontava a carreira jurídica como fascinante, embora ele próprio não a tenha exercido, entregue a funções públicas relevantes e aos movimentos culturais, dos quais há sido vulto exponencial, a ponto de tornar-se príncipe dos Poetas Cearenses. A recém-criada Faculdade Católica de Filosofia, sob direção dos Maristas, abrigou-se no Curso de Letras Clássicas, ali lecionando Otavio Farias, Amorim Sobreira, Joel Linhares, Padre Jessé Oliveira, Jorgelito Cals de Oliveira e outras expressões do magistério superior. No que tange à Administração, o meu provisionamento decorreu do exercício de cargos públicos, como Secretário de Justiça, na gestão Parsifal Barroso, cumulativamente, desempenhando, de forma interina, na Secretaria de Fazenda e na de Educação. Quanto ao jornalismo, possuía titularidade de profissional, por força de vinculo empregatício com o Jornal da Manhã, dirigido pelo Senador Olavo Oliveira, Alfeu Faria de Alvim e Raimundo Ivan Barroso de Oliveira. Sou fundador do Sindicato dos Jornalistas Profissionais e membro da Associação Cearense de Imprensa, desta obtendo o "chevron", atribuído pelo saudoso Stenio Azevedo, ao atingir cinqüenta anos de filiação àquela tradicional entidade.

JOÃO SOARES NETO: Emerge o jovem advogado para a vida adulta, ingressa no SESC-SENAC e, em seguida, candidata-se a vereador (1954) pelo antigo Partido Social Democrático – PSD. Como isso aconteceu?

MAURO BENEVIDES: Em março de 1953, graduado em Direito, aquiesci ao convite de Clovis Arais Maia, presidente do SENAC Regional, para ocupar a função de Secretario dos Cursos do Senac, já que possuía, também, habilitação para o magistério, embasada pela graduação através da Faculdade Católica de Filosofia. Durante 25 anos pertenci aos quadros senaquianos, tornando-se gost-writer de Arrais, em seus discursos formais, nos eventos da categoria econômica a que ele pertencia, tanto no Ceará, como no Rio de Janeiro e em conclaves nacionais das classes empresarias brasileiras, lideradas, dentre outros, por Basilio Machado Neto, Charles Edgar Moritz e, hoje, Antônio Oliveira Santos. Por ser instituição privada, não havia impedimento de exercer os Mandatos de Vereador e Deputado Estadual, cabendo-me compatibilizar as tarefas funcionais com as de representante popular, detentor nos dois primeiros mandatos eletivos, da maior votação do Ceará, tanto em 1958, como em 1962.

JOÃO SOARES NETO: Ao mesmo tempo, o jovem Carlos Mauro, conhece Regina, sua futura mulher. O que o levou a essa paixão que, ainda hoje, permanece? O que representa a família em sua vida?

MAURO BENEVIDES: Em 1954, consorciei-me com Maria Regina de Borba Benevides, filha de político adversário, no caso o ex-deputado federal José de Borba, filiado à União Democrática Nacional, de quem fui aluno de Judiciário Penal, na nossa Faculdade de Direito. Ela, que convivera com o pai, igualmente político, contemporizava com a incessante atuação diariamente exercitada, na sucessividade de ininterruptos mandatos parlamentares. Todos os seis filhos – Regina Maria, Carlos, Mauro Filho, Glaucia, Carlos Afonso e Carlos Régis tiveram especial assistência dela própria e o meu aconselhamento na formação moral e intelectual dessa descendência que nos envaidece como pais e nos obriga a acompanhá-los nos desdobramentos do nosso clã, agora acrescido por doze netos.

JOÃO SOARES NETO: Como foi a sua atuação como vereador católico em Fortaleza?

MAURO BENEVIDES: Juntamente com Roberto Carvalho Rocha, recebi significativo apoio de entidades pias, particularmente os círculos operários, liderados, na ocasião, pelo Padre Arimateia Diniz, prematuramente desaparecido, deixando-me, porém, legado edificante de idealismo e identificação com as causas dos trabalhadores. Sem radicalizações, mais em meio a convicções arraigadas, aguardamos empreitadas de benemerência, como a Hora do pobre, programa radiofônico idealizada pelo Padre Antonio da Silveira Paixão, autentico símbolo da caridade, acatado por nossa comunidade, Dom Antonio Lustosa, Arcebispo de Fortaleza, era o conselheiro austero, de quem recebíamos constantes mensagens de estímulo e apoio ás nossas pretensões.

JOÃO SOARES NETO: Em 1958 é eleito deputado estadual e reeleito em 1962. Nessa legislatura, ocorre a Revolução de 64 e o encontra Presidente (63-64) da Assembléia. Como foi a sensação pessoal e corporativa do processo de cassação de vários colegas?

MAURO BENEVIDES: Em 1958, cheguei á Assembléia para cumprir o primeiro mandato, com a responsabilidade de prosseguir – como mais votado que fui – o próprio desempenho no restrito circuito da vereança, convivendo na bancada com Dorian Sampaio, João Cavalcante, Valter Cavalcante Sá, Bezerra de Oliveira e José Diogo da Silveira. No Poder Legislativo cearense passei pela liderança da Maioria e presidência de Comissões, até ser alçado à Secretaria do Interior e Justiça, na administração do brillante Parsifal Barroso, nacionalmente projetado, após ocupar o Ministério do Trabalho, no período de Juscelino Kubistchek de Oliveira. Na legislatura seguinte, novamente, como detentor do maior potencial de votos, viu-me guindado à Chefia do Poder Legislativo a 15 de Março de 1963 e três dias após, convocado para exercer, interinamente, o Governo do Estado, na eventual ausência de Parsifal, que fora à Recife apresentar despedidas ao Conselho Deliberativo da SUDENE, do qual era membro, a exemplo dos demais governadores.
No ano seguinte, a reeleição projetou-me para nova investidura, que coincidiu com a deflagração do movimento de 31 de Março, acarretando, por força dos Atos Institucionais, a limitação das liberdades públicas e dos direitos individuais.
Os fatos que se seguiram à deflagração do processo revolucionário trouxeram, em seu contexto inquietador, cassações de mandatos e suspensão de direitos políticos, numa constrangedora e anômala situação, que se desdobrou por longo período, suscitando reações controvertidas de apoio e de indignação diante de injustiças cometidas. Na época, grupo militar pretendia postular o afastamento do governador Virgílio Távora, sob o pretexto de que ele integrara o governo João Goulart, na experiência parlamentista que antecedeu ao 31 de março. Aos atingidos pelo guante do autoritarismo jamais faltou o nosso apoio, com a coadjuvação do deputado Victoriano James, presidente da UPI, que veio ao Ceará como emissário o Ministro da Guerra, Arthur da Costa e Silva. As ligações telefônicas via Rádional, dificilmente se completavam, na tentativa de excluir a nossa Casa da drasticidade de punições então postas em prática no País.

JOÃO SOARES NETO: É folclore ou verdade o seu diálogo como presidente da Assembléia com o então deputado estadual, amigo e colega de partido, Dorian Sampaio, em vésperas de sua prisão e seguida cassação?

MAURO BENEVIDES: Quando a Assembléia recusou, por insuficiência de provas, a cassação de alguns membros, sob alegativa de contrabando de café, o deputado Dorian Sampaio – insuspeito, por seu irrepreensível comportamento na vida pública – numa descontração verbalizada, sugeriu que se devolvesse o processo à 10º Região, "pedindo desculpas pela demora". A divulgação feita por um noticioso radiofônico confundia o saudoso colega, que jamais teve qualquer comprometimento com o alegado desvio ocorrido pela Barra do Guriu, em Camocim. No açodamento em que um grupo de militares tentou contrapor-se à deliberação de nossa Comissão de Justiça motivou a presença de militares na residência de Dorian, a fim de conduzi-lo ao 10º Grupo de Abusos. Imediatamente, estabeleci comunicação com o comandante Interno da Região, Coronel Aluisio Brigido Borba, que me recomendou a ida do Dorian àquela Corporação, na qual ele estava em trinta minutos para desfazer o lamentavel ocorrido. Como o telefone não era confiável, tranquilizei Dorian Sampaio de que a providência consequente (imediata liberação) ocorria sem embargos. Foi essa a versão exata, correta e incontestada, ainda mais porque o bravo jornalista jamais teve maculada a inteireza de seu caráter como homem público. A versão do saudoso Dario Macedo, a quem ofereci o esclarecimento, desfaz, assim, pelo relato ora tornado público, com a mais absoluta clareza e autencidade.

JOÃO SOARES NETO: O que, hoje, passadas décadas, representa essa fase da História Brasileira?

MAURO BENEVIDES: Foi uma interrupção em nossa vida democrática, obrigando-me a um posicionamento coerente, até que chegássemos ao Estado Democrático de Direito. Liderei a oposição cearense por 27 anos, na maior longevidade de resistência política, sempre com o respeito de meus coestaduanos, que me conferiram, em 1974, a esplendida vitória para o Senado Federal, alterando o "fácies" da política cearense.

JOÃO SOARES NETO: Reeleito deputado estadual por três vezes, de 1963 a 1975, como poderia retratar a sua atuação parlamentar e a relação com os governos do Ceará de então, a partir de Parsifal Barroso, Virgílio Távora, Plácido Castelo, até César Cals. O que diria de cada um deles?

MAURO BENEVIDES: Apoiei, no PSD, as administrações de Parsifal Barroso e Virgilio Tavora, situando-me partidariamente em oposição a Plácido Castelo e a Cesar Cals, com os quais mantive, entretanto, relacionamento pessoal, sem descaracterizar a linha oposicionista que encarnei, concretamente, durante longo tempo.
Sobre o período gestivo, todos eles envidaram esforços em prol do nosso desenvolvimento, cada qual com obras expressivas, dentro de exigência da conjuntura vivenciada pela nossa Unidade Federada.
Nenhum deles desmereceu o exercício do elevado cargo de Chefe do Poder Executivo, seqüenciando-se fases, ora mais esplendorosas, ora mais reluzentes, mas sempre voltadas para o bem-estar de nossos coestaduanos.
O talento de um Parsifal Barroso; a visão administrativa de um Virgilio; a tenacidade de um Plácido e a obstinação de Cesar Cals, tudo isso merecerá o julgamento sereno e isento nos nossos fastos historiográficos.

JOÃO SOARES NETO: Eleito senador em 1975, em pleito que se afigurava difícil, como encarou esse momento e qual a sua reação em passar da Assembléia Legislativa do Ceará direto para o Senado Federal, ainda em pleno período revolucionário?

MAURO BENEVIDES: Foi certamente o mais fascinante desafio enfrentado ao longo da atividade política, assumindo candidatura praticamente inviável, para torná-la bandeira redemocratizante, cujo mastro foi empalmado por todos os segmentos da comunidade, ultrapassando barreira partidária, já que o MDB, detentor de frágil estrutura no interior, suplantou a poderosa Arena, reputada imbatível pelos mais argutos observadores do panorama então redesenhado no Ceará. Cesar Cals, num rasgo de otimismo, apregoou que "nem o Padre Cícero venceria o senador da Arena" tão solida era a solidariedade de seus correligionários. A reação popular assegurou-me o mandato por uma maioria de 76 mil votos, graças a força indomável do eleitorado da Capital.

JOÃO SOARES NETO: Em 1987 é reeleito senador e tem a primazia de participar, como constituinte, da elaboração da nova Carta Magna. Como isso se deu?

MAURO BENEVIDES: O segundo mandato senatorial, com o apoio de mais de Hum milhão e duzentos mil eleitores, permitiu-me participar, como 1º Vice-Presidente, da Assembléia Nacional Constituinte, tornando-me o segundo signatário da Carta Cidadã, ao lado do extraordinário homem público, Ulysses Guimarães, figura paradigmal, sempre apontado como reconstrutor do Estado Democrático de Direito, entre nós.
Dentre outras iniciativas, inseri no texto da Lei Maior a unificação do Salário Mínimo e a criação do FNE (Fundo de Desenvolvimento do Norte) gerido pelo BNB à cuja frente estive em 85-86, afastando-me de sua Presidência para desemcompatibilizar-me a fim de postular a Câmara Alta do País.

JOÃO SOARES NETO: Qual a sensação de presidir o Senado e o Congresso Nacional?

MAURO BENEVIDES: Após presidir em 89-90, a Comissão do Distrito Federal e Território, vi-me alçado à Presidência do Congresso Nacional, por unanimidade, até mesmo com a aceitação do Presidente da República, destituído mediante impechment, de enorme repercussão no País.
Convivi de perto com as maiores expressões de nossa vida política, como Paulo Brossard, Petrônio Portela, Franco Montoro, Tancredo Neves, José Sarney, Gustavo Capanema, Afonso Arinos, Daniel Krieger, Marcos Freire, além dos nossos Virgilio, Wilson Gonçalves, Beni Veras e Cid Gomes - este amigo - irmão, com luminosa atuação na Constituinte e no Congresso ORDINÁRIO.

JOÃO SOARES NETO: O que acha hoje da Carta Cidadã de 1988?

MAURO BENEVIDES: Tendo sido o primeiro cearense a ocupar a Presidência do Senado, dimensionei os imensas responsabilidades de comandar, também, o Congresso, empenhado em torná-lo acatado pela opinião pública brasileira. Conderamos, já na época, a pletora de Medidas Provisórias, abusivamente utilizadas pelo Poder Executivo, em detrimento da iniciativa parlamentar. Foi uma fase auspiciosa, assinalada pelo entendimento entre as duas Casas e a Presidência da República, sobretudo no período Itamar Franco, dos mais proficientes, assim atestado por seguidas pesquisas, levadas a efeito por institutos especializados. Por três dias, na segunda quinzena de dezembro, estive à frente do Pais, no exercício interino da Chefia da Nação, ensejando que, em um único ato, assegurasse ao Banco do Nordeste cento e cinqüenta milhões de dólares, destinados a um programa de geração de emprego e renda. No dia 20 de Outubro, ao discursar, no Palácio do Planalto, a convite do Presidente Lula da Silva, reportei-me à relevância da Carta Cidadã, assinalando a sua significação de restabelecedora do Estado Democrático de Direito. Após vinte anos de anormalidade institucional, chegava-se, afinal, a um instante de extraordinária expressividade, naquele ano de 1988, antecedido de intensa mobilização popular em torno da anistia ampla, geral e irrestrita, a eleição direta de governador e prefeito das Capitais, bem assim outras teses que movimentaram os setores conscientizados da sociedade civil organizada.

JOÃO SOARES NETO: O que é, afinal, ser senador? É fazer parte de um clube privilegiado ou ser partícipe das decisões nacionais?

MAURO BENEVIDES: Nos dois mandatos, como representante do meu Estado, identifiquei a extensão dos nossos encargos institucionais, cumpridos com seriedade e a preocupação de acolher as postulações de nossas Unidades Federadas. Presidir o Congresso é algo que consagra o trabalho de qualquer homem público, no passado, como no presente.

JOÃO SOARES NETO: Na sua publicação "Contestando Inverdades", publicada em 1993, o que desejava esclarecer?

MAURO BENEVIDES: Periodicamente, atribui-se a deputados e senadores a utilização incorreta dos recursos públicos, decorrentes de emendas ao orçamento.
Ao rechaçar a indiscriminada acusação, dispus-me a enumerar todas as verbas que, por minha iniciativa, foram destinadas a municípios cearenses. Na tribuna, discriminando as comunas e o valor das dotações, fiz questão de ressalvar a correção procedida no encaminhamento desses auxílios, embora não pudesse obscurecer que os mesmos favoreceriam as cidades e respectivas comunidades, nas quais fora mais generosamente sufragado para o Senado Federal.

JOÃO SOARES NETO: Como foi a experiência de presidir o Banco do Nordeste?

MAURO BENEVIDES: Antes de chegar à Presidência do Banco do Nordeste, vivenciei valiosa experiência assemelhada como Diretor do Banespa, à época do governo Franco Montoro, à frente dos destinos de São Paulo. Ali, no centro nevrálgico de nossa realidade econômico-financeira, constatei as oscilações da nevrálgica conjuntura, apreendendo lições no campo das variações de mercado, até porque passei a presidir o Comitê de Crédito, congregador dos diretores operacionais. Transferido para o nosso BNB, tornei-me mais apto a corresponder às expectativas de uma região desfavorecida, tradicionalmente, no contexto do crescimento do País. O excelente corpo funcional de que dispus favoreceu-me com visão sempre atualizada em questões cruciais, garantindo auspicioso resultado no balanço apresentado em 1986. O lucro assinalado surpreendeu aos mais experimentados observadores da vida financeira do País. Como membro do Conselho Monetário Nacional, ao lado de vultos exponenciais como Otavio Gouveia de Bulhões, assimilei lições sapientíssimas que ensejaram interpretações adequadas da realidade brasileira, na ocasião sob o impacto do Plano Cruzado de efêmera duração. Ao deixar o BNB, recebi uma das mais comovedoras homenagens de seu qualificado corpo funcional, no Passaré, no qual se localizava apenas um Centro de Treinamento, hoje sede oficial daquele tradicional estabelecimento d crédito.

JOÃO SOARES NETO: Ninguém contesta a sua fidelidade partidária ao Movimento Democrático Brasileiro e, em seguida, Partido do Movimento Democrático Brasileiro, mas como explicar a vida cambiante desse grande partido que nunca conseguiu eleger um Presidente da República, apesar de sua expressão?

MAURO BENEVIDES: A experiência do MDB/PMDB, na disputa majoritária de Presidente da República foi sempre frustrante, mesmo quando à frente da disputa estava o bravo Ulysses Guimarães, situado, ao final, no injusto quinto lugar, quando pleiteou à Primeira Magistratura, o Sr. Fernando Collor de Mello. Com Orestes Quércia, repetiu-se o fragor de um também injusto revés, o que desencorajou os correligionários a impor, nas competições seguintes, outras alternativas, de perspectivas semelhantes. Apesar de tudo isso, a facção a que pertenço é indiscutivelmente, a maior força partidária, refletida, no momento, como foi outrora, na chefia das duas Casas do Congresso Nacional. Em 91-92, estivemos Ibsen Pinheiro e eu à testa da Câmara e do Senado. Mantivemos sempre o maior contingente de parlamentares, em todas as hierarquias, embora nisso não se ache embutido, particularmente agora, nenhum sentimento hegemônico.
O nosso maior compromisso, apoiando a gestão Lula, é com a governabilidade, que nos cabe preservar, como participes de grandes decisões nacionais.

JOÃO SOARES NETO: Seus filhos Carlos (dep. Federal), Mauro (dep. Estadual) e Régis (vereador), ingressaram na política. Foram incentivados pelo pai, herança genética do avô deputado ou fruto da convivência familiar?

MAURO BENEVIDES: Tanto o Carlos, como o Mauro Filho, em três mandatos, o Régis – este com atuação restrita à Câmara de Fortaleza, decidiram, sem a minha interferência, ingressar na carreira política, obtendo sucessivos mandatos. Todos eles, com titularidade universitária, cumpriram a respectiva missão, cabendo ao Mauro Filho manter-se no campo da batalha política, no desempenho, também, de cargos no Executivo, como agora, à frente da Secretária da Fazenda. Se é certo que o avô( Carlito Benevides) o pai, o tio (Eduardo Benevides – três vezes Prefeito de Pacatuba) – refletissem uma tendência, a eles próprio sempre coube a decisão de postular o voto popular. Em 1974, disputando o Senado, incentivei o retorno de Carlito Benevides – meu saudoso pai – à Assembléia, para o seu segundo mandato, já que o primeiro ocorrera em 1935, quando era ele filiado à Liga Eleitoral Católica (LEC), sob aconselhamento do Padre Helder Câmara, impregnado pelas diretrizes da Legião Cearense do Trabalho, da qual o saudoso Severino Sombra foi fundador em nossa Unidade Federada.

JOÃO SOARES NETO: Hoje, passados anos, como entende a saída da vida pública do jovem deputado federal Carlos Benevides Neto?

MAURO BENEVIDES: Foi a mais clamorosa injustiça contra um parlamentar - que jamais pertenceu à Comissão de Orçamento do Congresso – o massacre de sua cassação, atingindo-o e ao deputado Ricardo Fiuza (Cearense, eleito por Pernambuco) – este então Relator da Proposta Orçamentária. A CPI, que também cassou Ibsen Pinheiro, pretendeu alcançar-me, por minha atuação na Presidência do Congresso. Diante da recusa de ouvir-me (17x2), recordo o que disse o ilustre relator da CPI, em surpreendente frase: "Se não vem o pai, vem o filho. "No final, o Ministério Público solicitou ao Supremo Tribunal a rejeição de sua própria denúncia," por reconhecidamente inconsistente". O relator, Ministro Mauricio Correa, enviou o processo ao arquivo, ensejando o pleito de "indenização por danos morais", acolhida pela instância judicial competente e já em fase de execução parcelada. Entregue, hoje, ao seu escritório de engenharia, não pretendeu o Carlos, ainda, retornar às disputas, embora potencialmente continue a situar-se em condições de fazê-lo, em futuro bem próximo.

JOÃO SOARES NETO: Seu filho, Mauro, brilhante professor de economia, executivo público e deputado estadual com cinco mandatos eletivos, não se filia a seu partido, o PMDB. Isso é uma estratégia política, decisão dele próprio ou apenas um fato natural de pessoa de outra geração com independência e livre arbítrio?

MAURO BENEVIDES: Nas pregações política, nos palanques, sempre defendi a estrutura pluripartidária, sendo incoerência impedir que o filho mudasse de facção, quando assim o desejasse. Ao transferir-se do PMDB, interpelei o filho-deputado sobre o seu novo posicionamento, ensejando a que ele replicasse, com uma indagação: "A sua pregação, nos comícios, só é válida para o povão ou para qualquer cearense". Não tinha como invalidar o conceito expendido, o que me fez assentir, tranquilamente, na sua nova filiação. Quanto a mim, prefiro pra frasear o notável líder da Zona Norte Chico Monte, no seu linguajar inelegível pelo sertanejo: "No meu quadril só há um ferro."

JOÃO SOARES NETO: Hoje, deputado federal por três legislaturas, a partir de 1999, como vê sua atuação e o bombardeio que o Poder Legislativo tem recebido da grande imprensa brasileira?

MAURO BENEVIDES: Como deputado federal, no terceiro mandato, perfazendo vinte e seis anos no Congresso Nacional – os outros 16 foram no cumprimento do mandato eleitoral – vejo, contristado, as seguidas criticas ao Poder que integro, hoje alvo de acusações seqüenciadas, com ampla ressonância na mídia e junto à opinião pública. O episódio do chamado "mensalão" e a série de fatos registrados no âmbito do Senado enfraqueceram o Legislativo e abrem fissuras na estrutura institucional das duas Casas. A restauração da imagem de credibilidade torna-se imperativa, numa linha de atuação compatível com as exigências da conjuntura.

JOÃO SOARES NETO: Quais as razões que levam alguns deputados federais e senadores a se acharem acima do bem e do mal? Ou isso é conversa de jornalista?

MAURO BENEVIDES: Há um sentimento latente, por entre os nossos parlamentares, de desprezar privilégios, como forma de melhor situar os nossos representantes, diante do povo que os elegeu. As constantes restrições a conquistas, anteriormente prevalecentes, tornaram-se obsessivas, com ampliação a cada novo Ato editado pelas respectivas Mesas Diretoras. Nem mesmo a inclusão de esposa na concessão de passagem para o Estado de origem é mais permitida, numa drástica decisão, ora posta em prática, com rigorosa inflexibilidade.

JOÃO SOARES NETO: O fato de viver desde 1975 em Brasília daria para dissertar sobre o comportamento da classe política brasileira desse período de 34 anos?

MAURO BENEVIDES: Nesse lapso de tempo, sobretudo no corrente ano (2009), diminuem vantagens tradicionais, a partir da Sumula do Supremo, inadmitindo nomeações de parentes até o terceiro grau. A severidade imperante é bem mais rigorosa do que no regime militar, em 21 anos de limitações a liberdades públicas e direitos individuais. A cada dia, despontam recomendações mais abrangentes, num ajustamento, também, ao espírito da crise financeira mundial.

JOÃO SOARES NETO: Há razão para a sua auto-definição ideológica ser de "centro-esquerda"? O que o leva pensar assim?

MAURO BENEVIDES: Na pregação emprendida pelo MDB/PMDB sempre fui o centro-esquerda, o pólo ideológico do nosso comportamento na vida política nacional. As agremiações, marcadamente de esquerda, já ocupavam o ranking de definições doutrinárias, o que nos situava em postura menos radicalizante, embora com identificação às aspirações dos mais humildes e necessitados. Essa genial compatibilização inseriu-se no Manifesto à Nação, quando Ulysses recebeu de Oscar Passos (1º presidente do MDB) a tocha dessa maratona democrática.

JOÃO SOARES NETO: Quais foram os seus principais projetos, transformados em lei, como Senador e agora Deputado Federal?

MAURO BENEVIDES: O de maior repercussão, na época do primeiro mandato, foi a Emenda Constitucional da Autonomia das Capitais, denominada de "Emenda Benevides". Com ele, testemunhava o reconhecimento a um eleitorado de escol, obrigado a submeter-se à vontade do governador, responsável pela indicação dos Chefes de municipalidade.
O controle Externo dos órgãos do Poder Executivo e da administração indireta foi outra proposição de larga ressonância, motivando, inclusive, editorial do Estado de São Paulo, louvando a iniciativa pelo seu cunho moralizador. Em decorrência, duas Comissões com tal objetivo – uma, na Câmara; outra no Senado – funcionam nas duas Casas, rigorosamente dentro das preceituações originadas na lei de minha lavra.
No Congresso ordinário e na Constituinte despontam o Salário - Mínimo unificado em todo o País; a emenda de que se originou o art. 159 da Carta Cidadã, referente ao Fundo Constitucional do Nordeste, Norte e Centro Oeste; a inclusão do comércio e o setor serviços no rol dos beneficiários do FNE, além de incessante atuação na tribuna, significando, em 07-08, 1.407 intervenções, antecedido, que fui, apenas, pelo Presidente Arlindo Chinaglia. Nessa faina, prossigo conscientemente, com ampla divulgação na TV Câmara, na Rádio Câmara e na Voz do Brasil, além de outros veículos do meu Estado, atento ao trabalho empreendido na tribuna e Comissões da Câmara dos Deputados.

JOÃO SOARES NETO: Os amigos o consideram onipresente por estar sempre em acontecimentos marcantes da vida do Ceará e do Brasil, como consegue esse quase poder de bi-locação?

MAURO BENEVIDES: Entendo que não posso, no desempenho do mandato, insular-me em Brasília, sem manter vínculo permanente com o povo que me elegeu. Daí a presença em eventos políticos e sociais, com a possível freqüência na Capital e no Interior, até como forma de me capacitar a melhor cumprir os encargos de representação popular.

JOÃO SOARES NETO: Não há fato importante da vida cearense que não mereça registro seu no expediente da Câmara. Isso produz resultados eleitorais ou é apenas o seu reconhecido viés diplomático em ação?

MAURO BENEVIDES: Hoje, com o alcance da TV Câmara, o discurso não fica restrito ao conhecimento da Casa e de seus integrantes. O alcance passou a ser extraordinário, compelindo-nos a ocupar a tribuna, diariamente, como hei tentado fazê-lo, na abordagem de uma temática diversificada.

JOÃO SOARES NETO: Há marcas significantes de sua vida acadêmica como integrante da Academia Cearense de Letras e do Instituto do Ceará?

MAURO BENEVIDES: A minha ascensão ao Instituto do Ceará, em 1985 e, em 1992, a academia, foram uma magnânima indicação de figuras exponenciais das duas vetustas entidades, particularmente Matias Filho, Itamar Espíndola e Mozart Sorano Aderaldo. Na de Retórica, passei a ocupar a Cadeira que tem como patrono o saudoso José Matos Rodrigues, sendo saudado pelo jurista Feliciano de Carvalho, na presidência de Osmar Pontes, de saudosa memória.
Além de dezenas de títulos bibliográficos, envolvendo oratória parlamentar, estudos sobre José Alencar, Senador Pompeu, Menezes Pimentel, Plínio Pompeu, Vírgilio Távora e muitos brasileiros ilustres, que enalteceram a cultura e a vida pública brasileiros, por mim editados nos últimos trinta anos.
No que tange ao Instituto do Ceará, apoiei financiamento a construção do Auditório Climatizado, através do Banco do Nordeste em seu programa de apoio ás atividades culturais.
Na gestão de Eduardo Campos e José Augusto Bezerra, acompanhei a obtenção de apoio da Lei Rouanet, dentro da sistemática legal, prevista na legislação pertinente.
Em termos de Academia Cearense de Letras, garanti apoio da Caixa Econômica aos tradicionais seminários, numa das mais louváveis promoções, ajudada com o estimulo daquela entidade financeira.

JOÃO SOARES NETO: Há tempo para ler literatura? O que gosta de ler?

MAURO BENEVIDES: A febricitante atividade parlamentar, mesmo absorvente, não me impede de dedicar-me à leitura e ao preparo, agora, de um livro memorialístico, com retrospectiva de meio século de atuação no cenário da atividade política. Acompanhei como iniciante nas atividades culturais, a ascensão do Grupo Clã, reunindo-me no antigo Café do Comércio, na década de cinqüenta, com Arthur Eduardo Benevides, Braga Montenegro, Antonio Girão Barroso, Moreira Campos e tantos outros que compuseram aquela escola de valores, a que pertenciam integrantes da seletiva equipe, de alcance nacional.

JOÃO SOARES NETO: Como vê o percurso atual do governo Cid Gomes?

MAURO BENEVIDES: Como reconhecidamente dinâmico, buscando solucionar aspirações tradicionais, como a Refinaria e a Siderúrgica, sob acompanhamento e solidariedade da bancada federal.

JOÃO SOARES NETO: Em caso de necessidade, votaria em um 3º. mandato para o Presidente Lula?

MAURO BENEVIDES: O próprio Presidente Lula já descartou o cogitado terceiro mandato, incompatível com a melhor tradição republicana. Uma democracia consolidada, com a dos Estados Unidos, admite, apenas, uma reeleição, permitindo que outras lideranças despontem para assumir o comando do País. Não creio, por isso, que venha a prosperar qualquer tentativa com tão inadmissível propósito.

JOÃO SOARES NETO: A propósito, qual a sua leitura dos dois Governos do Presidente Lula?

MAURO BENEVIDES: Integrante da chamada base aliada, na Câmara dos Deputados, tendo apoiado as proposições do Governo Lula, consciente de que o nosso País tornou-se Nação respeitada, no contexto mundial.
De emergente que somos, caminhamos no rumo de razoável potência, ao nível de compor um Grupo, tipo G-8. A China, a Índia e a Rússia seguem o mesmo rito ascensional.

JOÃO SOARES NETO: O Brasil sairá mais forte desta crise econômica?

MAURO BENEVIDES: Para o Presidente do Banco Central, Ministro Henrique Meireles, o nosso País começa a emergir da fase mais cruel da crise, impedindo a deflagração de um quadro recessivo, acarretando desemprego e outros fatores iniciais. Acredito, por isso, que, apesar da drástica diminuição de PIB, é muito provável que o Brasil mantenha postura de equilíbrio na superação das atuais dificuldades.

JOÃO SOARES NETO: O que acredita ter contribuído para a melhoria do Ceará com sua atuação no Congresso Nacional?

MAURO BENEVIDES: Sempre fui defensor, em Brasília, das legítimas aspirações de nossa Unidade Federada, quer como Senador, Presidente do Congresso e, hoje, deputado federal. Quando exerci a Chefia do Poder Legislativo apoiei a gestão Juraci Magalhães e assegurei apoio a iniciativas importantes em vários municípios. Uma obra sempre lembrada é o Açude Fogareiro, em Quixeramobim, responsável por fase auspiciosa de progresso no Sertão Central do Ceará.

JOÃO SOARES NETO: No próximo ano, 2010, completará 80 anos. Será candidato à reeleição?

MAURO BENEVIDES: É provável que, se Deus me mantiver vivo, continue a postular o apoio dos meus coestaduanos, aos quais sempre servir em várias décadas de atividade incessante, na hierarquização de sucessivos mandatos eletivos: Vereador, Deputado Estadual, Senador e Deputado Federal, com rápidas interinidades no Executivo Estadual e na Presidência da República, por três dias, na ausência do titular Itamar Franco.

JOÃO SOARES NETO: O que é a chegada da velhice e como encara o fato de ser mortal?

MAURO BENEVIDES: O caminhar da idade enseja a permanente aquisição de maturidade para enfrentar novos desafios. Na Câmara, hoje, prontificam, por exemplo, na faixa dos 90 anos, o ex-governador piauiense Alberto Silva e o empresário Camilo Cola, ambos com a mais absoluta lucidez para interpretar os problemas do quotidiano. São exemplos admiráveis de compatibilização da faixa etária com o exercício da função legislativa.
Se Deus assim nos permitir, continuarei a servir ao povo brasileiro e a empenhar-me para concretizar legítimas aspirações, de cada momento.

JOÃO SOARES NETO: A religião é o caminho da salvação?

MAURO BENEVIDES: A religião, lastreada na fé e na convicção é instrumento vivificador, justificando a sua prática incessante, no correr do tempo.

 

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