41 Opiniões Sobre: Livros

 
     
 

Título da Obra: “Conversas de Domingo”

 
     
 

AMANHÃ É DOMINGO

Paulo Eduardo Mendes. jornalista e magristrado



No círculo da vida, ao passar dos dias, amanhã é domingo. Mote para cronistas e despertar de idéias nas conversas deste canto de página. Hoje na retentiva, um livro nascido da produção literária de João Soares Neto. Ele nos trouxe as “Conversas de Domingo”, num apanhado gostoso para a leitura aglomerada dos seus textos encadernados pela “Edições Livro Técnico”. Livro contexto de uma jornada vitoriosa das publicações periódicas.

“Conversas de Domingo” já com o roteiro crítico construtivo da contracapa trazendo opiniões sobre o autor assinadas pelos nossos homens e mulheres de letras, encimadas por Adísia Sá afirmando ser o João Soares Neto um cronista. Ficasse aí o comentário e diria tudo. João Soares Neto tem o fôlego de quem escreve para jornal. É emoldurado por preparo inconteste e muita sensibilidade. Sua produção repercute. A essência dos seus escritos fica no tempo. Lê-se seu trabalho com o assomo da aprovação pelo sorriso da satisfação.

Os livros bem escritos provocam essa sensação de cumplicidade para o aplauso da participação. Somos leitores dessas crônicas que iniciam o bate-papo em torno das problemáticas e curiosidades que a gente tem vontade de publicar...

Os escritores-cronistas participam do dia-a-dia das emoções que enternecem. João Soares Neto dá esse recado que o credenciou a ser membro da Academia Fortalezense de Letras. Homem de negócios sem perder a sensibilidade esteta de quem busca as belezas ou poesias da vida.

“Conversas de Domingo” ofertadas para a leitura diária. Suas páginas agradam não só pela suavidade do estilo, como pela objetividade dos conceitos. Cronista bom é aquele que “tem olhos para ver e alma para sentir”, assim a opinião do nosso jornalista, escritor e memorialista inesquecível – o Blanchard Girão.

Reforçar o que se comenta em torno de João Soares Neto é agradável. Rotula-se a simplicidade, o carisma de quem reparte com o público seu talento. Empreendedor no fascinante mundo dos negócios, o João semeia seu canto de paz através das crônicas.

Bom trabalho do nosso vizinho que volta amanhã. “Amanhã é Domingo” e dia de ler João Soares Neto nesta página 2 do Diário do Nordeste que abriga nossos devaneios literários para a aproximação com o leitor sempre ávido por pausas nos noticiários da violência que campeia nos quatro cantos do mundo.

(publicado no jornal Diário do Nordeste, 06 de novembro de 2009)

 
 

De: Paulo Eduardo Mendes. jornalista e magristrado

 
 
 
     
 

Título da Obra: O LIVRO DO JOÃO

 
     
 

Há quase 40 anos, frequento, bem de perto, a intensa vida cultura da bela cidade do Pajeú, dizendo-me presente, sempre que possível, aos inúmeros lançamentos editoriais. Trago comigo o saudável costume, desde o final da década de 60, quando a maioria desses eventos se deixava acontecer nas dependências da Casa de Juvenal Galeno e nas livrarias Arlindo, Renascença e Ciência e Cultura. Por esse tempo, vale dizer, nunca se buscava a sede dos clubes sociais elegantes. No último 24 de setembro, experimentei nova sensação do saboroso hábito. Compareci ao Centro Oboé, a fim de abraçar mais perto o amigo e confrade João Soares Neto, intelectual de especialíssima cepa, dono, portanto, de umas das mais brilhantes inteligências, cá para as bandas dos verdes mares bravios. Detentor de boa acuidade mental, João sabe, como ninguém, mesclar o conhecimento técnico do bem-sucedido homem de negócios, senhor decifrador dos malabarismos numéricos, com a sublimidade do intelecto cultural, bem apurado, indo frontalmente alcançar o cerne das letras, através da magia de seu sentimentalismo. O livro nasce paramentado de bom sucesso. A estampa escolhida para a capa foi argumento muito feliz do artista Geraldo Jesuino, é mais que um retrato falado. É fotografia que fala sem que precise dizer nada! O jornal escancarado por sobre as pernas descontraídas, sobrepostas nas barras, nada significariam se não estivessem expostas obedecendo aos moldes do ponteiro de uma bússola, que, insistentemente, teima em apontar a direção certa para o porto das incertezas. Observe o leitor que as águas são mansas na vastidão do oceano, onde se pode vislumbrar a originalidade de um selo de paz. O pano celestial, apesar de possuir tom acinzentado, não prenuncia tempo fovente à caligem, exibindo, outrossim, nuvens em gelo que, apesar de espessas, são serenas e conduzem o leitor a um mundo de muitas reflexões. As crônicas de João Soares são leves, melífluas, saudosistas, filosóficas e profundamente humanitárias. Parabéns, companheiro bibliófilo. Parabéns!...

 
 

De: Roberto Ribeiro - Assoc. Brasileira de Bibliófilos

 
 
 
     
 

Título da Obra: CONVERSAS DE DOMINGO

 
     
 

João Soares

Quanto às crônicas do livro, achei-as ótimas, como sempre que leio o que você escreve.

No lançamento de seu livro na Oboé, fui lá, comprei o livro, que li num átimo, mas não fiquei para receber seu autógrafo, pois aquela multidão, apesar de mostrar seu afeto por você, estava fora do círculo que gosto de frequentar. Desejo-lhe o mesmo sucesso em outros lançamentos.

 
 

De: Eva Amaral é fiscal do Trabalho

 
 
 
     
 

Título da Obra: GENTE QUE CONTA

 
     
 

Joao Soares,

Bom saber que você faz sucesso falando de ideias e letras.

Penso que você ESCOLHEU o momento certo no interior da tua caminhada nessa terra de meu Deus.

Desejo sinceramente que vc continue filosofo da vida cotidiana.

Sagaz observador que vc é.

Um abraço.

 
 

De: Francisco A.Loiola, professor doutor da Universidade de Montreal, Canadá

 
 
 
     
 

Título da Obra: GENTE QUE CONTA

 
     
 

João,

Confesso que não li todo o seu livro. Fui aos entrevistados que mais me interessam, buscando até uma frase de Marcelo Linhares, a quem eu chamava de Professor, sobre o retorno dele ao Ceará. Talvez numa entrevista mais formal ele não dissesse, mas, ele disse-me uma vez que o vaqueiro dele comentava que quando o touro está velho deixa as pastagens e volta pro curral. Assim, como ele estava velho (nós sabemos que ele era jovem ainda), havia retornado pro seu Ceará. Está um belo trabalho e digo isso não só por ser seu amigo "apesar dos pesares", como V. colocou no autógrafo, mas, dá para percebermos um perfil de boa parte dos que fizeram o Ceará recente e V. sabe da minha admiração por Artur Eduardo Benevides que "sonha e se mantém fiel ao seu destino", bem como não posso deixar de citar José Alcides Pinto que encantava a todos nós, o Juarez Leitão (meu professor no Cursinho para o Vestibular) e o homem de Sobral, Lustosa da Costa que cita em sua entrevista grandes paixões minhas como Rachel de Queiroz, Gerardo Mello Mourão e, não poderia se ausentar, Sobral que é dele por opção, como ele reitera em sua entrevista. Parabenizo a V. pelo trabalho e espero que outros venham. Hoje postei pelos Correios, pois já estou em Sobral, meu novo livro, que quando cheguei ontem estava em minha casa, sobre Beato José Luis Sánchez del Río, para você.

Abraços do seu amigo, "apesar dos pesares" (risos), mas, que não vai deixar de ser,

 
 

De: José Luís Lira, professor da Universidade do Vale do Acarau

 
 
 
     
 

Título da Obra: GENTE QUE CONTA

 
     
 

João:

Acabo de ler seu livro Gente Que Conta. Execelente.

Sem mais nehum comentário.

Saiba, igualmente, que eu o tenho na conta da admiração sincera e fraterna.

Gratíssimo

Um Forte abraço

 
 

De: Dimas Macedo, Procurador do Estado e professor Universitário

 
 
 
     
 

Título da Obra: GENTE QUE CONTA

 
     
 

AMIGO JOÃO, DESCONHEÇO OUTRA OBRA QUE REGISTRE COM TANTA RIQUEZA DE DETALHES A IMPORTÂNCIA E OS FEITOS DE PESSOAS QUE FIZERAM E FAZEM A HISTÓRIA E A RIQUEZA, DO CEARÁ EM PARTICULAR, E DO BRASIL.

ABRAÇOS DO SEU, MESMO DISTANTE, ADMIRADOR

 
 

De: DEUSMAR QUEIRÓS, empresário, Presidente Grupo Pague Menos

 
 
 
     
 

Título da Obra: GENTE QUE CONTA

 
     
 

Dezesseis vozes acerca do nosso tempo



Nossa contemporaneidade convive com a multiplicidade de gêneros, uma vez que entre estes há muito já se romperam os limites fronteiriços. No romance, por exemplo, é comum a presença da polifonia - assim como a crônica é, constantemente, invadida por outros modelos de composição. A entrevista é um caso à parte

Hoje, a marca do processo de comunicação implica dinamismo. Vivenciam-se as experiências de modo rápido, descartável, essencial apenas a um determinado momento. Dessa maneira, um acontecimento logo é atropelado por um outro, sucessivamente. Ao fim do dia, pouco costuma sobrar dessa colheita. O amanhã trará outros mecanismos, e o haver se revestirá das mesmas novas e velhas cores. Ante esse contexto, existirá lugar a ser ocupado pela entrevista impressa? João Soares Neto, com "Gente que conta", responde positivamente a essa questão, numa coletânea de depoimentos e reflexões carregada de humanidade, bem como de espontaneidade, de leituras precisa acerca do estar-no-mundo.

São, ao todo, dezesseis entrevistados. E cada um, de maneira singular, expôs a sua alma, disse de si mesmo e dos outros, de seu tempo, da aldeia e do mundo - o que permite ao leitor palmilhar um espaço configurador de nossa História, de nosso tempo, pois a experiência de vida é também um elemento por que se pode apreender uma época, nos caminhos os mais diversos de seus valores, juízos, buscas, imperfeições, isto é, as inúmeras tentativas de construção do cotidiano, nas quais o homem e sua hora constituem um todo que não se dissolve.

O livro é aberto com a presença da ficcionista e poetisa Ana Miranda - uma das vozes mais significativas da nossa escritura pós-moderna. À semelhança de um camaleão, encarna o tempo e a linguagem de suas personagens, preservando nosso patrimônio cultural, entrelaçando memória e imaginação, fantasia e realidade, em textos criativos, dos quais se evola a cor local, numa construção banhada constantemente pelo poético: "A poesia é um dos elementos mais fortes nos meus romances, seja pela presença de poetas, (Gregório de Matos, Augusto dos Anjos, Gonçalves Dias) seja pela linguagem em si. Ou, ainda, pelo amor que sinto pelas palavras, a poesia nos ensina a amar as palavras". Afirma ainda haver um compromisso constante com o efeito poético.

Chico Anysio, por sua vez, abre as fragmentações de seu universo criador, e, assim, ressalta a necessidade visceral de escrever diariamente, mesmo que, muitas vezes, isso não passe de um exercício. Transparece emoção quando fala de sua terra: "O Ceará é importante para mim, porque ele representa a minha infância, o momento melhor da minha vida, quando eu era filho de rico, tinha um rio em Maranguape que parecia correr somente para mim, uma casa onde havia o quarto em que nasci". Recorda as brincadeiras infantis, a família, a mobília e o imponderável. Reafirma o seu amor pela pintura e admiração pelos grandes mestres. E se reconhece simples como um prato de arroz e feijão.

Dos entrevistados, três já estão falecidos: José Raymundo Costa, Marcelo Linhares e José Alcides Pinto - respectivamente, um jornalista, um político e um escritor. Vendo-os, assim, à distância, é possível apreender a perspicácia do entrevistador, quando este se preocupa com questões que transcendem a cronologia e dizem do homem, independetemente do tempo e do espaço. Através de suas vozes, o leitor palmilha a História de nossa gente, estabelece ponte entre o passado e o presente, podendo, assim, refletir também acerca do futuro.

O poeta, biógrafo e historiador Juarez Leitão - um dos maiores fenômenos como professor em sala de aula -, sempre com lirismo, pinta um amplo painel de nossa estrutura cultural. Lúcio Brasileiro e Lustosa da Costa são as notas de humor e de ironia. Mauro Benevides e Ubiratan Aguiar fazem a estrada Ceará-Brasília. Ernando Uchoa Lima, Lúcio Alcântara e Elano de Paula revelam a inteligência e o espírito irriquieto; o grande poeta Artur Eduardo Benevides, as lições de sensibilidade; José Dias Macedo e José Júlio Cavalcante, o desbravar do cotidiano. Ao publicar "Gente que conta", João Soares Neto brinda o leitor com um livro-documento, um retrato vivo do Ceará - um território reconstruído por pessoas que, com o seu trabalhado e o seu talento, suplantaram a poeira das ruas e inscreveram seus nomes na pedra da História. Um livro que une o prazer da leitura e as sutilezas da condição humana. O desafio das perguntas alimenta as respostas, faz um leque com as reflexões.



ENTREVISTA

Gente que Conta

João Soares Neto



EXPRESSÃO GRÁFICA

2010

256 PÁGINAS

R$ 30,00



Escritores brasileiros e personalidades ilustres

 
 

De: CARLOS AUGUSTO VIANA - EDITOR

 
 
 
     
 

Título da Obra: GENTE QUE CONTA

 
     
 

A gente conta ou não conta. Comenta ou não comenta. Critica ou não critica. Reflexiona. Pensa. Age escrevendo. Dizendo da impressão que nos causa uma boa leitura. Agora trazemos a lume "Gente que Conta". Produção literária de João Soares Neto. Entrevistas praticadas com o raro aprumo de um jornalista inato. No livro em questão, o leitor encontra todas as filigranas de uma joia de textos preciosos e sedutores. Avalanche de boa conversa em ideias ou imagens concebidas numa vertente interior de cada personalidade trazida. Entrevistas curiosas e soberbas em nível de literatura espontânea. Essência vinda do recôndito do ser. Metáforas? Poesia ou o quê de tartamudear ou balbuciar na busca de algo definido nessa agradável literatura que nos cerca? Um espetáculo de jornalismo puro. João Soares Neto numa aula natural na arte de entrevistar. Lastro cultural de moto-próprio para discutir a vida de cada um que ocupa posição de relevo na nossa sociedade miscigenada por vultos notáveis. Bela forma de dissertar sobre o outro que bem merece o destaque da homenagem sincera do reconhecimento. Nomes fortes no roteiro das homenagens de coração dos que escrevem para o dia a dia de articulista. Ana Miranda, Artur Eduardo Benevides, Chico Anysio, Elano Paula, Ernando Uchoa Lima, José Alcides Pinto, José Dias Macedo, Zé Júlio B. Cavalcante, José Raymundo Costa, Juarez Leitão, Lúcio Alcântara, Lúcio Brasileiro, Lustosa da Costa, Marcelo Linhares, Mauro Benevides e Ubiratan Aguiar, todos elencados no mesmo patamar da dignidade que enobrece a nossa cultura de valores humanos independente da política dos interesses momentâneos. São histórias e feitos de vidas probas. Belos exemplos para a fase de pesquisa do lado bom da existência. É possível trabalhar o entusiasmo das coisas simples, na grandeza dos comentários que tocam a sensibilidade pela pureza de comportamentos. Livros que contam e dissertam atos e fatos capazes de inspirar mudanças de rumos para trilhar as estradas vitoriosas da lisura. "Gente que Conta" dispõe de excelente aspecto gráfico e de conteúdo para pairar impoluto nas nossas bibliotecas.

 
 

De: Paulo Eduardo Mendes - jornalista

 
 
 
     
 

Título da Obra: GENTE QUE CONTA

 
     
 

A ARTE DE ENTREVISTAR



Saber perguntar é uma arte. Isso leva a entrevista a depender da qualidade do entrevistador. Difícil não é responder, difícil é saber perguntar. As interrogações é que direcionam as respostas

Entrevista não se configura gênero literário. Isso porque dificilmente perguntas e respostas guardam as mesmas características estilísticas. Afinal, quem pergunta não pode exigir de quem responde uma linguagem dentro dos seus padrões de emissor. Entretanto, saber perguntar é uma arte. Isso leva a entrevista a depender da qualidade do entrevistador. Ou seja, difícil não é responder, difícil é saber perguntar. As interrogações é que direcionam as respostas.

Isso é o que se conclui desse livro de entrevistas realizadas por João Soares Neto e que vem com o título "Gente que conta". O livro, com 256 páginas, foi editado pela Expressão Gráfica e Academia Fortalezense de Letras, neste 2010. São 16 cearenses de destaque nos mais variados setores da vida social, que abriram seus corações no diálogo com o entrevistador. Não dá, no entanto, para classificar qual a melhor das entrevistas, mas nota-se perfeitamente aquelas em que entrevistador e entrevistado ficaram mais à vontade devido a laços de amizade construídos anteriormente.

Há ainda alguns que se deixaram conduzir pelo entrevistador, de forma que o diálogo tornou-se como que uma catarse. As revelações foram aparecendo tão livres que dá a impressão de que algo terapêutico evolui da conversa entre os dois dialogantes. A entrevista com Chico Anysio, por exemplo, se torna reveladora. A revelação de seu duplo emerge em cada personagem que ele cria. Seu teatro revelador apresenta para cada personagem que cria uma máscara em que um Chico Anysio alojado na sua estrutura profunda vem à tona.

O caso de Ana Miranda é diferente, pois há um ingresso no mundo do outro sem que haja um envolvimento direto da autora. Ao longo da sua trajetória literária ela tratou de Gregório de Matos Guerra, Augusto dos Anjos e Gonçalves Dias. É claro que depois de tratar de um baiano, de um paraibano e de um maranhense é de se esperar que chegue a vez de um cearense. Na sua entrevista, ela explica essa lacuna ainda impreenchida e mostra seus projetos para o futuro onde está a solução para esse nosso desejo.

Outro que impressiona pelas respostas surpreendentes é José Alcides Pinto. Se tudo nele é fragmentado, não é surpresa que se repita na entrevista aquilo que era marcante na sua vida. Talvez seja Juarez Leitão aquele que, na entrevista, mais se aproxima do "à vontade" de Alcides Pinto. Os dois se mostram soltos nas respostas, mas Juarez não deixa de revelar seu pendor para a História. Tanto conta, às vezes inventa, como também é um conhecedor da Historia Geral e da nossa em particular.

Esse gosto pela História é o mesmo que marca a personalidade de Lustosa da Costa. Acontece que é uma história localizada. Sobral é seu norte. Representa ele, o maior conhecedor da história sobralense. É o cronista daquela cidade, e seu amor pela Princesa do Norte tinha que pontificar altaneiro na longa entrevista que concedeu. Outro afeto marcante na sua personalidade é pelo jornalismo, da mesma forma como acontece com José Raimundo Costa que mesmo na maturidade e já consagrado no jornalismo, não deixou de cursar Comunicação Social.

Quatro dos entrevistados tiveram assento na Câmara Federal e não podiam deixar de falar sobre a política cearense e nacional. Lúcio Alcântara, Marcelo Linhares, Mauro Benevides e Ubiratan Aguiar revelam, além de suas tendências literárias, dados e fatos da nossa história política, o que torna suas entrevistas verdadeiros documentos da nossa história. Há uma capilaridade que une essas quatro personalidades, que são marcantes para o desenvolvimento do nosso Ceará e para a construção de nossa memória política.

Específicas, entretanto, são as entrevistas com as outras personalidades que aparecem no livro. Artur Eduardo Benevides dá uma aula de teoria da literatura direcionada para o gênero poético. Elano de Paula fala como "compositor, escritor, pintor, engenheiro civil e financista", como afirma João Soares, e se sai bem em todas essas vertentes. Ernane Uchoa Lima é o jurista por excelência. Seu curriculum vitae é invejável na área do Direito, e seus conhecimentos não podiam faltar nas respostas. José Dias Macedo é o empreendedor exemplar para o desenvolvimento econômico do Ceará.

Com relação à história de nossa radiofonia, não se pode omitir a importância de José Júlio Cavalcante. Da mesma forma, ninguém conhece melhor a sociedade fortalezense do que Lúcio Brasileiro. Os dois completam esse elenco de personalidades trazidas até nós, por João Soares Neto, nesta sua coletânea de entrevistas. Daí que José Augusto Bezerra na sua "Apresentação" foi muito feliz ao concluir que João Soares Neto, ao promover essas entrevistas, nos presenteou com o conhecimento daqueles que "ajudaram a esculpir o Ceará mas que o autor deixou-nos apenas um débito, ao não contar sua própria história", pois João Soares Neto está á altura dos seus entrevistados.

 
 

De: Batista de Lima - Jornalista / jbatista@unifor.br

 
 
 
 
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