Os que fizeram a universidade nos anos 1960/1970 elegeram Fernando Pessoa (18881935)como o poeta a ser lido e estudado. Ele e os seus heterônimos. Preciso dizer que optei por Bernardo Soares: “sou a cena viva onde passam vários atores representando várias peças”. A colega Maria Luiza Rodrigues e eu passávamos horas lendo a edição, em papel bíblia, do esquivo poeta lusitano.
Pessoa, após a morte do pai, acompanhou a mãe que emigrou e casou, novamente para a África do Sul, na cidade de Durban. Em África, Pessoa fez o curso secundário e aprendeu o inglês que usou como tradutor e publicitário, já em Lisboa. Em julho de 2015, os filhos do pesquisador inglês Hubert Jennings, morto em 1992, resolveram o que fazer com o espólio cultural do pai, especialista em Pessoa, com pesquisas “in loco” dos arquivos do vate, antes de terem ido parar na Biblioteca Nacional Portuguesa.
O acervo de Jennings foi doado à Brown University, nos Estados Unidos. A Brown concentra estudos sobre literatura portuguesa e publica a Revista “Pessoa Plural”. Entre os arquivos, foi encontrado o livro inédito de Pessoa “The Poet of Many Faces”, em inglês.
Soube por Maurício Meireles, FSP, C3, agora em 16 de janeiro. São destacados como “pessoanos” o argentino Patrício Ferrari, o brasileiro Carlos PittelaLeite, o mexicano Octavio Paz e o italiano Antonio Tabucchi.
Para mim, “A Tabacaria” e o “Livro do Desassossego” são o cume de Pessoa que, exangue, disse, em inglês: I know not what tomorrow will bring (Eu não sei o que amanhã trará).
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 31/01/2016.

