TRISTE BRASIL – Diário do Nordeste

O Brasil possui, hoje, quase 12 milhões de desempregados. Se erro houver, não me culpem. Escrevo o que leio e ouço. De cada dez desempregados, um entra em depressão. Entre os sem emprego, 1,2 milhão estão abisonhados, desiludidos e sujeitos aos efeitos dessa doença danosa.
Este País é um paradoxo. A soma dos desvios já sabidos, apenas neste século, nos colocaria, se bem utilizados, em outro patamar. Aqui ao lado, Peru e Chile mostram como deve um país passar de exótico a lógico.
O economista e filósofo mineiro Eduardo Gianetti derivou da análise economicista para, em reclusões filosóficas, procurar entender o País. O seu último livro, “Trópicos Utópicos”, pode não ser novidade, mas releitura contextualizada.
O belga Claude Lévi­Strauss, em 1934 foi professor pioneiro de sociologia da novel USP. Anos depois, em 1955, o seu livro “Tristes Tópicos” narra viagens ao interior do Brasil e sua vivência com índios. Vai além, ao estudar o Islamismo em cáusticas lições escritas. O mau humor seria por não haver chegado ao “Collège de France”.
Agora, mudam­-se tristes para utópicos, na análise de Gianetti: “Ao juízo da fria métrica ocidental, o Brasil, se não chega a ser um malogro, não passa de um país medíocre: nossa contribuição à história da ciência e da tecnologia modernas -­ assim como à filosofia e às humanidades -­ resume-se a uma dispensável nota de rodapé”.
Considero séria e pessimista a fleuma das conclusões dele. Mesmo assim, creio neste País, que se vê logrado por, entre outras razões, não separar o público do privado. Feito isso, decolaremos.

João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 09/07/2016

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