Prédio velho da Faculdade de Direito da UFC. Agora, seria a sessão de defesa de doutorado do mestre Rodrigo Uchôa Paula, presidida pela professora Denise Lucena Cavalcante. Examinadores: professores Roberto Martins Rodrigues, Martônio Mont´Alverne, Hugo de Brito Machado Segundo e André Studart. Ouvi, com atenção e respeito, a explanação cônscia, rica, brilhante e contundente do examinando Rodrigo.
Ele, jovem trintão, possui profundo conhecimento da ciência do direito, além do obrigatório Constitucional, auxiliado por memória privilegiada e pensamentos próprios. Foi revolvendo os pactos dos poderes institucionais surgidos pósRevolução Francesa. Passeava por bibliografia multilíngue que não o inibia e manejava bem o seu trabalho com mais de 200 laudas. Ora era filósofo, ora jurista, permeando a ontologia e a epistemologia, sem esquecer se de apontar algo inusitado para merecer o grau de doutor. E o fez com o respaldo de pensadores de pátrias e formações distintas.
A ideia nova, já consagrada em outros países, seria o imperativo de criação de um Tribunal Constitucional no Brasil, posto que, para Rodrigo, o STF “por não ser a instituição mais adequada” nestes tempos de “judicialização da política”, impõe mudanças. Sabatinado pelos 5 examinadores, Rodrigo se houve com saber, provocando risos da banca pela incisiva defesa de sua tese. De lá saiu Doutor em Direito Público. Com mérito. Ao sair, recordei ali ter passado quase 7 anos. Parte, em inconcluso doutorado. Gizela Nunes, colega, Paulo Bonavides e Roberto Martins Rodrigues, professores, sabem da história. Não há registro. “Tempus fugit”.
João Soares Neto,
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 23/07/2016.

