Não estou falando do sufoco que todos os pais estão vivendo no maremoto em que a nau Brasil anda metida. Não vamos soçobrar. Acreditem. Não temam.
O sufoco é uma “brincadeira” que crianças e adolescentes, não na presença dos pais, praticam de forma abusiva e perigosa. Ela possui vários nomes. Em português e em outras línguas: jogo de asfixia, jogo do desmaio, brincadeiras perigosas, chocking games, space monkey, jeu du foulard, entre outros. Participei de palestra na Psicologia da UFC sobre o tema.
Não há estatística oficial sobre a quantidade de jovens praticantes que já vitimaram muitas famílias ao redor do mundo. Por outro lado, há milhares de “curtidas” em sites, blogs e até em livro publicado no Brasil. Para a psicóloga Fabiana Vasconcelos, do Instituto DimiCuida: “A prática é desconhecida como algo perigoso e há silêncio sobre o assunto. As famílias se resguardam por causa do julgamento. Essa crítica impede que a sociedade fale sobre isso”.
A cilada é participar de desafios de asfixia ou outros para atingir o “Nirvana”. Encontram até morte e sequelas. Inalam sacos plásticos impregnados de desodorantes – com propano, metano e talco. É preciso que os pais, confiantes e/ou distantes, fiquem atentos para o uso da Internet pelos filhos, festinhas, rodinhas nos condomínios, comunidades e baladas. Pais “chatos” são os que acompanham, de perto, o que os filhos fazem no dia a dia, nos fins de semana e conhecem os pais dos seus amigos e colegas. Tudo está na Internet, mais para o mal, do que para o bem. Informe-se. O barato sai caro.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 01/05/2016

