É época de pensar e até de fazer conjeturas. De parar e refletir no que fez e, sobretudo, deixou de fazer. Por mais que estejamos alegres, tristes ou absorvidos com problemas, chega um instante em que ponderamos e nos perguntamos: e aí o que ficou de positivo? Você imagina que vai tentar fazer a coisa certa, errar menos que nos anos anteriores, será tolerante, mandará as fofocas para aquele lugar, cuidará da saúde, estimulará o corpo, mas fica algo no ar.
A memória reacende com facilidade e isso, às vezes, incomoda. Neste tempo, o viver diário dá o tom da música interior. E essa música, com certeza, tem compasso lento, como se fora uma valsa de Strauss que a maioria conhece, mas não recorda o nome. A evocação não se constitui saudosismo; é como se precisássemos de refrigério para o dia a dia que se assemelha a um “rap”. Você, eu, os que não confessam e os que não sabem, estamos tontos diante de um mundo que mudou sem nos pedir licença e ficou conturbado e violento. Dizem os filósofos que o medo e a esperança andam juntos. Assim, a vida é gangorra. Gente importante como o ex-premier da Inglaterra Tony Blair revelou em livro de memória que tomava uísque puro, gim tônica e vinho para aguentar o rojão do trabalho.
Aqui no Brasil, somos ainda otimistas, a presidente Dilma afirmou, antes das eleições: “eu acho que tem hora que exageram um pouco comigo… mas eu sou uma pessoa que convive perfeitamente com a crítica”. Aguardemos.
Em tempo: Chegou o 2015, mas o 2014 levou o saltimbanco Mário Gomes, cara e voz da nossa contracultura.
João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 04/01/2015.

