Os indicadores econômicos de aparatosas agências internacionais de classificação de risco mostram um profundo grau de desconfiança com os níveis de governo do Brasil. Como não faço muita fé em suas isenções e análises, tenho esperanças renovadas para 2015. Os economistas, independente das escolas de pensamento que seguem, propalam alta do desemprego e da inflação, mas eles, quase sempre, só acertam o presente, quando passado. Por que não viram a crise de 2008? Só veem depois do incêndio. São péssimos em prognósticos, daí a esperança.
A esperança que nutro não se apoia em governos, tampouco nas empresas que, de repente, sabem fazer tudo, desde que os contratos sejam generosos e bem aditados. A minha esperança se baseia na coragem do brasileiro comum, esse que não vive das benesses concedidas aos que estão ao lado do poder, qualquer que seja o governante.
Apesar de tudo, 59% do povo ainda acredita que o Brasil é ótimo ou bom para viver. Esse povo não usa passaporte, anda de ônibus/moto/metrô, sofre para manter-se vivo, seja por falta de casa, de saneamento, de segurança, de ensino e de tudo o mais.
Essa carência de confiança entranhada na mídia não é percebida, graças a Deus, pelos que não captam notícias catastróficas, pois passaram a desconfiar da astúcia. Eles se acostumaram à vida fenícia de ambulantes, de microempresários e de independentes prestadores de serviços, sem sindicatos.
Tenho esperanças por saber que 74% de todos nós ainda temos orgulho do Brasil. Nada nos demove dessa fé. Fé que também é minha.
João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 22/02/2015.

