JAZZ & BLUES – Diário do Nordeste

Menino, tentei estudar piano. A professora Maria Helena Cabral ajudou. Sou canhoto. Em seguida, parti para o violão, mas havia que inverter cordas e fazer sinapses, pois estaria tocando ao contrário. Resumo: não trago habilidades manuais relevantes. Desisti. Ficou apenas o enlevo pela boa música.
Jovem, passei final de semana, em Lenox, Massachussets, quando vi o festival anual de música clássica e contemporânea Tanglewood. Fui de ônibus. Descobri, alegre, que o maestro cearense Eleazar de Carvalho seria um dos regentes das muitas orquestras.
Agora, maduro, quando raro passo por Nova Iorque, procuro tempo para ir à “Juilliard School”. Em audições públicas, grandes mestres lapidam expoentes de diversos países. É lugar certo para cantores e músicos que desejam aprimorar teoria e habilidades com os instrumentos que usam.
O dito serve para, quiçá, chancelar o grau de profissionalismo da apresentação em Fortaleza, sexta-feira passada (20), do Festival de Jazz&blues.
Ricardo Bacelar, pianista e regente, unificou equipe madura e soube, com leveza, manter a plateia acesa em todo o desenrolar do show, sem fazer concessões no admirável repertório de Standards.
Sala cheia. 1.500 ouvidos atilados pelo comando firme e sutil de Bacelar que, como “bandleader”, explanou o programa e ensejou a cada músico mostrar a sua expertise. Nightgale.
A cereja do bolo, após intervalo, foi a apresentação excelente da cantora portuguesa Jacinta, perita cantante de jazz, blues e de sua filha natural, a bossa nova. Um primor de voz. Bravo.

João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 01/03/2015

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