INCERTEZAS – Diário do Nordeste

Escrevo antes de 13 de março de 2015. Estamos em tempo das delações premiadas, dos acordos de leniência, da abertura oficial das investigações da Operação Lava-Jato, dos pronunciamentos desequilibrados de alguns e à espera de manifestações dirigidas ou espontâneas. Há incertezas no País.
Não se deve ficar alegre. O Brasil tem mais o que fazer. Estamos nauseados. Há denúncias e revelações que alimentam os noticiários de todas as mídias. É um mal-estar nacional, não digerido. Não importa de que lado você esteja e tampouco do lado que imagine que os outros estão. Incertezas rebentam.
Que poderemos nós, os que já votamos tantas vezes, reclamar dos jovens desnorteados? Que país estão recebendo? Eles arriscam entender a diferença entre o que é ensinado nas escolas, o que é ouvido nas ruas, o que é falado nas famílias e o que se propaga em novas linguagens midiáticas formando núcleos distintos de pensamentos.
Que exemplos amanhamos e quais frutos podem surgir de nossa história recente, tantas vezes maculada? O mundo de hoje é complexo. Não há gênio isolado que o entenda. Precisaríamos de uma concertação nacional, mas como chegar a ela, se só há embate? A rebeldia incontida dos jovens possui como fermento a emoção, o inconformismo, o raciocínio lógico (por que tem que ser assim?) dos ainda à margem da vida real.
Vida cheia de estultices, manipuladores, dissimuladores e de pérvios caminhos trilhados por uns. Tudo isso, junto e misturado, só produz avisos ruins. Nada fica elucidado. As ruas murmuram.

João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 15/03/2015.

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