AMOR E BARRIGA – Diário do Nordeste

Agora, em Grasse, França, descobriu-se uma acidental troca de crianças em maternidade. Casal viveu em crise, pois o marido dizia que a filha Manon não possuía seus traços. Depois de 10 anos, brigas e separação, fizeram exames de DNA. Manon não tinha nada do pai, tampouco da mãe.
A mãe resolveu processar o hospital. O fato: duas crianças, com icterícia neonatal, trocadas no berçário. Após embates na justiça, a mãe descobriu a filha verdadeira, cuidada com afeição por outros pais.
Houve o reencontro, mas a mãe, mesmo reconhecendo na sua filha biológica os seus traços, era apaixonada pela “filha” Manon que criara com desvelo. Final da história: optou por ficar com Manon, pois os vínculos eram profundos.
Há algum tempo li o livro “Um amor sem barriga”. A história: uma jovem teve duas gravidezes normais com oito meses de gestação, sempre acompanhada por médicos. Daí em diante aparecia uma anomalia que, infelizmente, acabou na morte dos dois ansiados bebês.
Sofrido, o casal tentou descobrir a origem da doença das crianças perdidas. Laboratórios nacionais e estrangeiros contratados. Nada conclusivo resultou. Enxugaram lágrimas e dores, não poucas. De repente, manifestaram o desejo de adoção. Veio o primeiro bebê, sem barriga, ainda suprido com leite materno, tão amado como se concebido. Fizeram adoção de verdade.
Depois, nova adoção abençoada. Hoje, pais e filhos até se parecem. São unha e cutícula. A mãe sem barriga é amantíssima e a admiro. O pai coruja não destoa. São uma família de verdade.

João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 29/03/2015.

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