Semana passada, revista nacional apresentou, em suplemento, o que 29 jurados “recrutados”, divididos em dois grupos (comes e bebes, 15; lazer e cultura, 14), decidiram ser “0 melhor da cidade” de Fortaleza. Nada contra os “recrutados”. Há, entre eles, pessoas com capacidade analítica.
Listas de premiações provocam dúvidas, em face da ausência de coerência/estratificação de faixas e das claras vinculações entre indicados e a área comercial da edição.
Acresça-se que no item “como funcionou a votação” há uma decisão singular: “… Quando a questão continuou sem solução, a equipe de …., apoiada em avaliações in loco, aplicou o voto de Minerva”.
A própria revista, em caso de empate, decidiu quem venceria. Procuramos ler um pouco e, no site www.ufsj.edu.br, da Universidade Federal de São João del-Rei,MG, vimos trabalho da Ph.D. Marina Bandeira. Ela diz: “A validade externa de uma pesquisa vai depender de se mostrar que os resultados obtidos não são dependentes da amostra ou da situação particular dessa pesquisa, mas que suas conclusões são verdadeiras também para outros contextos, outras pessoas (g.N)”.
Ora, como dar crédito a pesquisa que, no mesmo exemplar, traz propaganda paga de página inteira – e até dupla – de “premiadas”? Outro contrassenso é escolher empresas sem maturação existencial.
Tempo é história. O propósito é até louvável. Mas o que se viu: publicidade e indicação. Faltou isenção e distanciamento, básicos para a confiabilidade. Cortar os anúncios e pesquisar bem seria o caminho. O suplemento sairia? Utopia?
João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 26/04/2015

