DIREITO 50 ANOS – Diário do Nordeste

Plenilúnio. Quinta-feira, 16.12.1965. O calor do 350º. Dia do calendário gregoriano não incomodava os que usavam becas. Assentados, com padrinhos e madrinhas, nos bancos de cimento da Concha Acústica da Universidade Federal do Ceará, conversavam em regozijo.
Abria­se a colação de grau dos formados pela Faculdade de Direito. Martins Filho, reitor, e Luiz Cruz de Vasconcelos, diretor da Salamanca local, geriam a cerimônia.
Em ordem alfabética, um a um, subia os degraus do anfiteatro, para o recebimento do barrete. Tenho a foto, ao lado do meu pai, Francisco Bezerra de Oliveira, e dos citados reitor e diretor. Nesta semana, após 50 anos daquele fato, os 76 remanescentes do total de 130, reuniram­se para orar pelos que já partiram e, ao mesmo tempo, dar graças por suas duras vidas profissionais.
Essa turma gerou magistrados federais e estaduais, em primeiro e segundo grau; procuradores, promotores e defensores públicos; advogados de nomeada, professores e servidores de carreira, políticos com mandatos, intelectuais e até empresários. O elo que nos manteve unidos hoje, não foi o de interesses, porém, o desvelo do colega Stênio Carvalho Lima, a quem reverencio, a nos reunir, em convescotes, por dezenas de anos.
Hoje, pode parecer singela esta festa. Forçoso é dizer que estudamos no período da assunção e da renúncia de Jânio, da luta pela posse de Jango, do curto parlamentarismo com Tancredo Neves, do referendo pela volta ao presidencialismo, do abalo de 1964 e concluímos o curso sob a égide de Castelo. Urbi et Orbi.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 10/12/2015.

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