Estamos no Natal, antevéspera da festa pagã do fim de ano. Agradeço a todos os leitores desta coluna. Mais ainda aos que a leram na íntegra, o ano inteiro. Ela foi pensada para ser além de artigo de opinião. A coluna não é pautada por interesses. Procuro escrever da única forma aprendida: clara e sem floreios linguísticos.
Direto ao ponto, pois o parnasianismo, mesmo quando efervescente, não combinava com jornal, esse efêmero veículo de fatos, fotos e textos a morrer e a renascer a cada 24 horas.
Vivemos tempos duros neste 2015. Quem mora em cidade grande – e não viaja ao interior – não faz ideia de como o Estado lutou para não acontecerem êxodos como os do século passado. A jovem população do sertão substituiu a alimária por motos compradas pelo crediário. A moto é diferencial, símbolo a se somar ao celular e oferecer a seus usuários o sentimento de liberdade e, ao mesmo tempo, a opção de estar conectado. Não se sabe ainda qual a influência do celular na melhora da capacidade cognitiva dos com poucas letras. As motos fazem vítimas a cada dia. Falta disciplina a seus guiadores.
O Brasil atravessa mais uma crise. Explicitada pela acurácia de um jovem nascido no interior do Paraná, celeiro de imigrantes e de brasileiros de todos os matizes. Sérgio Moro foi, sem dúvida, a figura mais acreditada neste país em que alguns políticos das duas casas do Congresso Nacional fazem o contraponto.
Louve-se a conjunção do Ministério Público, da Justiça e da Polícia Federal, nas investigações e consequentes prisões de pessoas por malversação do dinheiro público, em operações divulgadas pelos órgãos de comunicação com acesso aos fatos, suas análises e as consequentes delações a mostrar ramificações de estarrecer.
Alguns dizem ser preciso medida emergencial para dar ordem ao País e caminhar de forma diversa do feito até hoje. Na verdade, precisamos de uma concertação ainda não aclarada, mas necessária ao desenvolvimento econômico, com sério enfoque na inclusão social e na validação do regime democrático, em forma menos capenga do hoje praticado.
O “Impeachment” não é panaceia, mas – se couber – dispositivo existente na Constituição. Há normas de como fazê-lo. Precisamos de novas lideranças. Não as que evocam guias do passado, como mero exercício de retórica. A perda da confiança geral é prova da necessidade de eliminar ou reinventar instituições tuteladoras e ricas, muitas delas do ciclo Vargas, generoso e paternalista ao criá-las por decreto-lei ou leis baseados no nacional socialismo italiano de Benito Mussolini.
As grandes mídias nacionais não podem dar guinadas ao sabor de interesses. Precisam acordar. Não há consenso político espontâneo, mas em decorrência de coalizões necessárias, aclaradas e consequentes. Agradeço, de verdade, aos leitores deste espaço. Escrevi 52 colunas, com a média de 500 palavras, cada. Tentei levantar questões gerais e agora me dou conta de que, no total, foram 26.000 palavras. Palavras e opiniões publicadas não podem ser mudadas, passam a ser patrimônio do seu tempo. Desejo a todos um Feliz Natal e, acreditem, faço fé em 2016. Resolvi chamá-lo de “O Ano do Bem”. Devemos fazer a nossa parte para isso acontecer. Felicidades e obrigado.
João Soares Neto,
cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 28/12/2015.

