Há 10 a 12 milhões de pessoas entre 20 e 45 anos disputando, por ano, vagas de concursos públicos – municipal, estadual e federal – no Brasil.Existe até uma Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac). Segundo a Anpac, são gastos 50 bilhõespor ano entre inscrições, cursos, livros, apostilas, preparação e viagens ida e volta – pelo Brasil afora para chegarnos locais dos concursos. Existemempresas afazer preparações presenciais epela internet.
Os candidatos usam as mídias para interagir e responder as questões dos cursinhos ou cursões, dependendo da expectativa e do nível de suas aspirações.O site “Aprova Concurso”,por seu diretor Bruno Branco, declarou aEdiane Tiago (“Valor”, F4,30. 05. 2014), que “quem opta pelo curso online tem disciplina e quer apoio diferenciado”.
Criou-se no Brasil a cultura de que o emprego público é uma opção razoável para quem aspira estabilidade e segurança. Os empregos privados, por conta da concorrência, são difíceis e voláteis. O saber e a habilidade de fazer precisam de aprimoramento constante e cobram desempenho que, acreditam muitosdos que se preparam para concursos, não será exigido naárea pública.
Hoje, quase toda família tem alguém participando desses certames decididos não só pelo conhecimento, mas pelacapacidade de aceitar a pressão psicológica imposta por seu grupo familiar, pordisputas com colegas epor esperançosos parceiros. Por fim,em quais órgãos públicos serão alocados esses milhões de esperançosos? Há outrosmilhões de terceirizados nesses lugares. E aí?
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 08/06/2014

