O BÁSICO DE FORTALEZA PARA ESTRANGEIROS – Jornal O Estado

Seja bem-vindo a esta cidade. Ela nasceu junto à “Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção”, defronte ao prédio do novo Mercado Central. Nesse mercado você encontra produtos regionais, feitos à mão, comidas típicas locais, roupas leves de algodão, entre muitos outros artigos, inclusive ervas miraculosas que prometem vigor e longa vida.
Saindo do mercado, no sentido sul, a cerca de 200 metros encontrará a Catedral, templo católico. Seja agnóstico ou crente, dê uma parada, refrigere-se e olhe os bonitos vitrais. Pare alguns minutos pensando na graça de estar em terra estranha, mas acolhedora.
Ao sair, você terá três alternativas: 1. Visitar o centro da cidade, logo a seguir. Se tiver GPS ou smartphone facilitará um pouco, coloque “Praça do Ferreira” e, em poucos minutos, se deparará com um quadrilátero simpático, arborizado, cercado de lojas comerciais, um grande cinema(São Luiz) em reforma, vendedores ambulantes, engraxates e aposentados discutindo política, futebol e vida alheia.
A 100 metros dali – na Rua do Rosário, 01, fica localizada a Academia Cearense de Letras, fundada em 1894, a mais antiga entidade cultural do Brasil. Ela funciona no Palácio da Luz, feito de tijolos, tal como a Igreja do Rosário – erguida por escravos- a seu lado.
Defronte há um logradouro conhecido como Praça dos Leões, por conta de esculturas em bronze dos reis dos animais. Em um dos bancos da praça existe uma escultura da escritora Rachel de Queiroz, a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras.
A opção 2: Se você gosta de arte e cultura vá da Catedral direto ao “Centro Dragão do Mar”, distante cerca de 500 metros, no sentido leste. O Dragão é um equipamento público com 15 anos de fundado, em homenagem ao jangadeiro “Chico da Matilde”, depois “Dragão do Mar”. Ele se negou a transportar, em sua tosca embarcação, escravos dos navios negreiros – que ficavam ao largo – para a Praia de Iracema, então Praia do Peixe. Por tal fato, o Ceará, capital Fortaleza, foi o primeiro Estado a abolir a escravatura no Brasil.
O Dragão é local acolhedor, possui exposição permanente sobre a vida do sertanejo, galeria, teatro, escolas de artes, cafés, cinemas e observatório lunar. Há alguns restaurantes no entorno. Em geral, só funcionam à noite, quando há festas para todos os públicos e gostos, nos arredores.
A opção 3 é o Theatro José de Alencar, com estrutura em ferro fundido vindo pronta da Escócia, no começo do século 20. O homenageado, escritor José de Alencar, nasceu no Ceará e foi o introdutor do indianismo na literatura brasileira, da qual é um dos expoentes. O teatro é belo, merece visita, e fica na praça que tem o seu nome e a sua estátua. Como se fora um mercado persa ou turco, na praça a céu aberto centenas de ambulantes vendem artesanatos, travesseiros, móveis, comidas e o que mais se puder imaginar, além de singelas cópias de marcas famosas a preços populares. Comprar ou não é com você.
Este artigo não é um itinerário: para isso existem Roteiros da Cidade, operadoras e guias especializados. É apenas um leve ensaio sobre o que, ao meu olhar, possa interessar a estrangeiros no Centro e na orla de Fortaleza, nesses tempos de Copa do Mundo de Futebol.
Não sei onde você ficará hospedado, mas, certamente, irão falar da Avenida Beira Mar. Ela é a via principal da orla marítima desse mínimo pedaço do Atlântico Sul. As águas do mar são cálidas e esverdeadas. A orla é dividida em partes. Uma começa a Oeste, na Barra do Rio Ceará, outro presumível local de fundação de Fortaleza, e segue sentido Leste, passando pelo Pirambu, adensado bairro popular, até chegar ao Hotel Marina Park, local onde algumas seleções de países ficarão hospedadas durante os jogos em Fortaleza.
Outra parte começa na Praia de Iracema, perto do Dragão do Mar, relembro. A Praia de Iracema vai do Poço da Draga até o fim da Avenida Historiador Raimundo Girão. Por lá funciona, às segundas-feiras, o “Pirata”, um bar-restaurante popular que atrai turistas com suas festas de forró, um dos ritmos do Nordeste. Vá em frente, sentido Leste, e estará chegando ao local do Fan Fest da Copa. Visite-o.
Em seguida, verá milhares de pessoas andando, uma profusão de bares e barracas do lado da praia e, do outro, bonitos edifícios construídos, a maioria, a partir das décadas de 70/80 do século 20, com destaque para os projetos dos arquitetos José e Francisco Hissa, e Luiz Fiúza. Todas as noites são montadas barracas para uma grande feira de artesanato e que tais, bem perto do Náutico, clube social pintado de verde.
Passado o Porto do Mucuripe, começa a renovada Praia do Futuro que gerou barracas-parques imensas, para todos os gostos e bolsos. Há, nessas barracas, cadeiras com guarda-sol, garçons ligeiros para servir peixes, crustáceos, bebidas de todos os tipos e uma profusão de ambulantes vendendo tudo o que você procura ou não.
Tinha intenção de traduzir este texto para o espanhol, inglês e alemão, mas alguém, seja gerente de hotel ou pousada, recepcionista, taxista, guia ou amigo, pode, se achar que vale a pena, recortá-lo e traduzir para você. Divirta-se, proteja-se do sol.
Há muito mais a ver em Fortaleza do que narrei. Não sou guia turístico, apenas quis facilitar e dizer da minha alegria em dar-lhe boas vindas: Bem-vindo, Bienvenido, Welcome e Willkommen.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 13/06/2014

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