“A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original”. Albert Einstein, cientista alemão
Sérgio, um velho amigo meu, liga eufórico: você sabia que o Alberto é do time? – Que time?, pergunto eu. Sérgio ri, e diz eufórico: o Alberto era dos bons. Eu pergunto: que Alberto? – Ora, ora, me diz ele: o Albert(o) Einstein, o cientista, o da lei da relatividade, o alemão-judeu que se mandou para os Estados Unidos quando o nazismo começou.
Sérgio, eu não estou entendendo o que o Albert Einstein tem a ver com o time que você fala. Que time é esse? Ele não se faz de rogado: – é o time dos homens danados, assim como eu, que namoram muito, casam sempre e têm amantes. Pois não é que descobriram agora que o Albert ou Alberto, como quer o Sérgio – ele teima em ser íntimo: além de casado duas vezes, teve dez amantes, tudo comprovado em cartas cujos teores foram divulgados há algum tempo por jornais e televisões de todo o mundo. Na realidade, eu tinha lido o assunto apenas por cima mas, depois que o Sérgio me telefonou, resolvi pesquisar e vi que, verdadeiramente, Einstein entre um e outro estudo não dispensava uma visita a amantes e, como intelectual que era, trocava cartas com elas. Está tudo nas 3.500 páginas dos arquivos doados por Einstein à Universidade Hebraica, em Jerusalém, Israel.
A descoberta só ocorreu em 2006 porque havia uma cláusula testamentária de que as cartas dele só seriam abertas, vinte anos após a morte de sua enteada e confidente, Margot Einstein, ocorrida em 08 de julho de 1986. Esse fato, a descoberta, foi apenas a da décima amante, pois nove já estavam identificadas e catalogadas. Apareceu a Ethel, que foi se juntar a Margareth, Estella, Betty e duas Tonis, entre outras. Como se vê já faz oito anos que as cartas foram deslacradas e divulgadas. Para o Sérgio não importa que o fato tenha acontecido em 2006. A alegria dele é incontida, pois só agora soube das “estrepolias” do Albert(o).
Assim, vi que o folgado do Sérgio tinha razão. O Einstein fazia parte do seu time e, certamente, achava que tudo no amor seria atinente, só não o tempo que era absoluto e sobrava para ele. Em época de poucos e precários telefones, as cartas, que não mentem jamais, teriam sido usadas para a marcação de encontros e de seus relatos prazerosos.
Esses ditos eventos, além de causar profunda satisfação ao Sérgio, demonstraram, segundo ele, que os cientistas não só lidam com abstrações, física, química e fórmulas matemáticas, mas cuidaram de encontrar respostas para as suas próprias situações nas andropausas matrimoniais e as “outras”. Cientistas, para o Serjão, são pessoas falíveis que podem aditivar as paixões, lícitas, ocultas ou escancaradas. Um adicional que lhes dê o enlevo suficiente para manter uma relação firme e até descobertas que fazem bem à humanidade.
Como disse o feliz Sérgio, em outro telefonema: -graças a outros cientistas, na área da farmacologia, estou em plena forma e sempre altivo. Falou bem de alguns medicamentos e disse que há genéricos em qualquer farmácia. E ainda alvitrou: será que o Albert(o)já não havia descoberto isso na sua época.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 03/10/2014.

