Todos sabemos que Fortaleza está procurando mudar o seu sistema viário urbano, criando, entre outros, viadutos, passagens de nível e binários onde há tráfego excessivo de coletivos, autos e motocicletas. A cidade só começou a ter viadutos na administração Juraci Magalhães.
Fortaleza não teve a ventura de formular bons planos de desenvolvimento urbano.
Desde o de Silva Paulet, em 1818, com a planta em xadrez da Villa de Fortaleza, passando pelo de Saboya Ribeiro em 1947. Depois, vieram os planos diretores de 1962, 1972, 1992 e 2009. Nada de significativo alterou ou inovou.
Deu-se aos semáforos a função de regular o tráfego. Não se levou em conta- tampouco se mudou – a forma de implantação da cidade e de seus loteamentos, quase todos ortogonais. Agora, neste 2014, já perto de um milhão de veículos, há tentativa de desfazer o nó górdio gerado.
Já escrevi, em análise anterior, que, pelo menos, as margens justafluviais do Rio Maranguapinho e Ceará deveriam servir para construir vias paralelas de escoamento de coletivos e caminhões pesados. As hoje usadas não possuem caixas suficientes para dar vazão ao volume de veículos, em qualquer sentido de direção.
Além dos desvios, ordenados, com sinalizações e fiscalizações, devem ser coibidas as diversas contramãos usadas como pontos de fuga da confusão nas horas do “rush”. Um exemplo: a estreita rua Princesa Isabel, sentido sul-norte, quase todas as noites é invadida por alguns ônibus urbanos e metropolitanos na contramão, sentido norte-sul. Prevenir é cogente.
João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 05/10/2014

