“A pior democracia é preferível à melhor das ditaduras”. Rui Barbosa, escritor e político brasileiro, 1849-1923.
Peço leitor, leitora, que faça um sacrifício: ouça e veja os programas de televisão e os debates ao vivo deste segundo turno das eleições de 2014.Sinta as promessas expostas. Compare essas promessas com a realidade em que você vive e tire as suas próprias conclusões. Não se deixe levar por nada além da sua própria consciência e da sua capacidade crítica. A partir daí forme um juízo de valor que lhe dê a sensação de que vai buscareleger os melhores candidatos.
Não importa que sejam apenas um, ou dois votos. É o seu voto. Você não poderá reclamar se houver votado por brincadeira, descaso ou desforra. Na democracia só se pode apear alguém do cargo que ocupa – oudo que pretende atingir – se ficarmos atentos à sua história pessoal, à sua vida política, à sua propaganda eleitoral e, principalmente, aos debates.
Há um conhecimento antigo, com mais de 5.000 anos, chamado fisiognomonia que indica quando a pessoa está mentindo pela incapacidade de dominar as expressões que o seu caráter difunde. Cada traço de um rosto e o som de uma fala diz muito sobre o comportamento do orador. É claro que há atores, mitômanos, mas, via de regra, fica claro quando a pessoa sai do seu natural e muda as suas feições por estar posando ao invés de dizer a verdade, pura e simples.
Além disso, a título de mera ilustração, passo a enumerar algumas frases de pessoas famosas que poderão lhe sugerir alguma saída para a possível dúvida que ainda perdure. Custa nada ler e concluir o que elas, as tais pessoas famosas, disseram, a partir de suas próprias credibilidades:1. O engano:La Rochefoucauld (escritor francês, 1613-1680):“O uso frequente da astúcia é sinal de pouca inteligência, e quase sempre quem se serve dela para cobrir-se de um lado acaba se descobrindo do outro”. Abraham Lincoln (presidente norte-americano,1809 -1865):“Pode-se enganar toda a população algumas vezes, ou parte dela sempre, mas não se pode enganar toda a população sempre”.2.O (a) adversário (a): Edmund Burke (político inglês, 1729-1797)diz:“Quem luta contra nós reforça nossos nervos e aguça nossas habilidades. O nosso antagonista é quem mais nos ajuda”. Ugo Ojetti (escritor italiano -1871-1946): “Se queres ofender um adversário, elogia-o em voz alta pelas qualidades que ele não possui”.Retomo o fio da meada para sair do sério, citar algumas frases alegres, porque brasileiras,e, quem sabe, possam ajudar na sua decisão de voto.
Lembra-se do Odorico Paraguaçu, personagem de novela do Dias Gomes: “Em terra de sapos, de cócoras com eles”.O famoso maestro e compositor Antônio Carlos Brasileiro Jobim deixava claro: “No Brasil, sucesso é ofensa pessoal”. O ex-guru do PSDB, Sérgio Motta, já falecido: “Com alguns deputados, só conversando na sauna, e pelado”. O também falecido cacique político Antônio Carlos Magalhães disse, certa vez: “Ninguém discute nada seriamente na presença de quatrocentas pessoas”. E, para finalizar, nada melhor que Lula: “Eu queria dizer para vocês que o que fizemos até agora foi mais fácil do que o que nós temos para fazer daqui pra frente”.
Por fim, leitor, leitora, vote em alguém parecido com você.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 17/10/2014

