Às 5h22 de segunda, 8 de dezembro de 2014, passei uma mensagem perguntando a que horas deveria chegar ao hospital. Sem resposta. Apressei-me. O horário do parto seria às 7h daquela manhã de nuvens brancas. Eu abeirara-me do hospital, quando o celular alerta: Beatriz chegou.
A escolha do nome foi feita em comum pela Bruna e o Gerber, os pais. Pulei as enciclopédias Barsa e Britânica e fui direto ao “Tio Google” ver o que significava.
Ele esparge respostas de todos os modos e feições. Há que pinçar. Foi o que fiz. Beatriz viria do latim, de beatus etc. Ao final das contas expressaria: para fazer alguém feliz. Ou, em outra mirada, chegaria pelo poeta épico e medieval Dante Alighieri, com a sua Divina Comédia e as três partes do seu percurso (inferno, purgatório e céu). Beatriz é a sua guia no paraíso. O obstetra antecipara e a Bia despontou da mãe às 6h35, quando a lua cheia esvanecera. Subi os dois lances de escada que, dobrando à direita, mostravam o berçário.
Ela estava envolta no líquido amniótico e, no meu pensar de avô, piscava os olhos de espanto nos seus primeiros minutos fora da placenta.
Depois, já limpa, vestida no mandrião que a primípara mãe escolhera, emergiu em graça. Bonita e rosada, chega ao quarto para a alegria de todos, a começar pelas tias guardiãs Lelé, Cris e Mel. Hoje senhoras, e, ainda, minhas filhas meninas.
Bruna, saindo da raquidiana, abre os seus grandes olhos, acolhe, beija e abraça a pequenina Beatriz, sem choro, rindo, como a dizer: você é minha cria, eu a gestei e agora a tenho ao lado. Deus as abençoe.
João Soares Neto
Empresário
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 14/12/2014.

