NATAL À VISTA – Diário do Nordeste

Você, leitor, leitora, que assina ou compra este DN e, aos domingos, abre esta página 2 e desce os olhos até a este canto esquerdo, eu desejaria que, na noite da próxima quarta, tome um belo banho, se vista confortavelmente e junte-se aos que quer bem. Não importa o seu credo religioso ou a se é ateu ou agnóstico. Custa nada ficar um pouco mais leve e lembrar que está com a capacidade de ler estas frases, enquanto muitos são deficientes visuais. Lembre também que milhões não sabem ler. Há ainda um bilhão de pessoas no mundo que não podem se ensaboar e abrir o chuveiro. Sabe por quê? Eles não têm um simples banheiro, são humildes e profundamente pobres. Não quero deprimi-lo, tampouco responsabilizá-lo pelas desgraças do mundo. Quero apenas que não se lamente demasiado porque perdeu alguém querido ou um amor foi para o espaço. Há pessoas que não têm um só parente vivo e continuam a acreditar no amanhã, na esperança que nos move neste labirinto que é o existir. Veja o título. Ele é um conselho que você não me pediu. Não compre nada a prazo. Só compre o que precisar e o que puder pagar. Se não tiver dinheiro para presentear a quem ama, faça um bilhete do próprio punho e diga dos seus sentimentos. Se verdadeiros. Presente nem sempre significa benquerença. Um bilhete pessoal é ato de amor ou amizade. Agora, se você está bem de vida, lembre-se de quem o ajudou na sua trilha. Agradeça a ajuda, o apoio, o ombro amigo, não poupe presente, nem palavras, mas não seja dramático ou piegas. O reconhecimento é um dos mais nobres sentimentos humanos e vale muito.

João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 21/12/2014

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