FAMÍLIAS E NEGÓCIOS – Jornal O Estado

Desde há algum tempo tenho participado, aqui e alhures, como ouvinte, moderador, debatedor e palestrante de aulas, discussões, seminários e cursos sob o pomposo nome de “educação corporativa”. Na realidade, a denominação vem do inglês e deveria ser outra, pois nem todos os negócios são corporações. Corporação é algo mais complexo. Estrutura definida por estatuto, filiais, normas e leis societárias.
Negócio é algo mais simples, desde vender frutas ou roupas, até o que uma pessoa, família ou grupo possa criar, produzir, sistematizar e gerir antes de se transformar, com o tempo, valores, lisura e solidez, em corporação.
Tenho ouvido recorrentes queixas de pais e de filhos. Os pais se lastimam. Saíram do nada para montar um negócio e, quase sempre, não têm a colaboração dos filhos adultos como desejado. Alguns filhos se imaginam sabidos e críticos com o jeito simples dos pais gerirem o que lhes deu sustento, instrução e, quiçá, luz social.
Por outro lado, filhos há a olhar os pais como retrógrados, cerceadores de seus ímpetos, ideias e a não acompanhar o desenvolvimento. Uns e outros podem estar certos e errados. Devem buscar entendimento. Mas há um laivo a me agredir em nota no jornal “Valor”: dois irmãos fundaram um negócio. Ele cresceu. Um dia, um deles morre. Os filhos do morto e os seus primos, filhos do irmão sobrevivente, tomaram o controle da já corporação. Deu-se o caos. Esses fatos, pouco conhecidos, causam traumas familiares e as empresas, enfraquecidas. Confúcio, sábio chinês, dizia: O respeito para com os pais e irmãos é a base da superioridade.”

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 11/01/2013.

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