THOMAZ POMPEU E A ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS – Jornal O Estado

Desde 2000, a UNESCO – entidade da ONU a cuidar da Educação, Ciências Naturais, Humanas e Sociais, Cultura, Comunicação e Informação – consagra o dia 21 de fevereiro como o Dia Internacional da Língua Materna.
Na noite de ontem, exato 21 de fevereiro deste 2013, na imensidão da abóbada celeste ainda não de todo desvendada, pairava no planeta Terra, no hemisfério sul, no Brasil, no Ceará, em Fortaleza, com a lua em quarto crescente, quase um plenilúnio, a Academia Cearense de Letras, reunida para falar sobre Thomaz Pompeu. Cultuou-se a língua e a linguagem.
Aconteceu no Palácio da Luz, centro histórico de Fortaleza, na Rua do Rosário, defronte à Igreja dos Homens negros, asilo de segregados pela escravatura envergonhadora. Igreja essa ressaltada e descrita em tintas nas pinturas e nas músicas em ritmo afro de Descartes Gadelha.
A palavra de Thomaz Pompeu foi lembrada a seus seguidores para exercer “a serenidade de investigadores da verdade”. A propósito, a acadêmica Ângela Gutiérrez já havia louvado em 2009, em discurso ali proferido quando da comemoração dos 105 anos da ACL, as suas múltiplas faces de jornalista, professor, pesquisador de história, geógrafo, educador, administrador público, pensador, homem de letras e empreendedor.
Sobre essa face singular ela refere: “Por que relembrar o empreendedor, o pioneiro, que fundou a primeira fábrica de fiação e tecidos do Norte-Nordeste, atentando para o aproveitamento de nossa vocação algodoeira, que foi sócio majoritário e gerente da primeira Companhia de bondes do Outeiro, que foi fundador e presidente do Banco do Ceará, do Centro Industrial e da Associação Comercial, colaborando para o progresso da terra, na crença de que progresso e ciência deveriam andar de mãos dadas”.
Outros empreendedores já integraram a referida ACL. Os principais: Antonio Martins Filho, o reitor fundador/empreendedor da Universidade Federal do Ceará; o jornalista Eduardo Campos, escritor, condômino dos Diários Associados e industrial; e o seu hoje presidente, o empresário imobiliário e bibliófilo José Augusto Bezerra.
A propósito, o maior bibliófilo – amante e colecionador de livros – brasileiro foi também um empreendedor, José Mindlin, criador da Metal Leve.
Os empreendedores citados confiavam e seus seguidores acreditam, além do arrojo em suas ações, no estudo, na informação, no conhecimento e na cultura, indispensáveis ao Brasil atual, a exigir qualificação para qualquer tarefa ou encargo. A educação e a cultura são chaves insubstituíveis para o futuro. Thomaz Pompeu já sabia disso.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 22/02/2013

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