PROPAGANDA E CIDADANIA – Diário do Nordeste

No dia do último aniversário de Fortaleza vi anúncios de pessoas, empresas e entidades que pouco fazem em favor da cidadania, mas propagam seu amor pela cidade da qual tiram suas benesses. Que amor é esse? Não é amor fazer a sua tarefa, tampouco dar empregos ou participar de associações de classe cujos dirigentes se comprazem com declarações às colunas de jornais e rádios, nas saídas e chegadas do aeroporto, a propagar encontros com autoridades federais. Na verdade, apenas fazem parte de grupos de pressão, sempre a reivindicar. As fotos vão para as colunas e tudo fica na mesma. Não sai nada de concreto.
Que amor é esse, quando muitos sonegam, outros maquiam seus balanços, quase sempre dando os pulos certos e alguns são sempre recentes amigos de infância de quaisquer governantes?
Por que não apresentam seus balanços sociais, as escolas que abrem ou apoiam, os órgãos de benemerência ajudados? Está na hora de se aprender a fazer distinção entre propaganda e cidadania. Toda pessoa, empresa/entidade tem o direito de fazer propaganda, mas só os tolos não enxergam as que apenas, vaidosas, dizem de seus valores e nada têm a mostrar de concreto como atos cidadãos
Cidadania é outra coisa, não passa pelo viés do interesse, nem pela necessidade patológica de parecer magnânimo. Cidadania é fazer o simples em favor do bem comum. Cidadania não é pedir presente de lençol e dar festa nababesca. Gastar o dinheiro da festa inútil, em benefício de necessitados, poderia começar a ser ato cidadão. As farsas precisam ser desmontadas para que se conheça quem faz propaganda e quem opta pela cidadania.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 21/04/2013

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