Semana passada fiquei alegre. A madura escritora Edla Von Steen me deu um presente. Doze anos depois de publicados os meus “Microcontos”, ela resolve aderir à ideia e o faz, como usei na segunda edição, bilíngue. Escolhi o espanhol, ela fez dois livros em um. Traduziu para o inglês e o francês, separados. Edla tem dezenas de livros publicados e é nome nacional. Ela sabe. A Flip/2013 trará Lydia Davis, contista americana, concisa. Tempos mínimos.
As palavras não podem transbordar, devem caber nos espaços. Li, agora, que o jornal “Estadão” está diminuindo de tamanho. Já havia cortado o seu caderno literário. Haverá menos espaço para jornalistas e colaboradores. Os jornais do mundo sofrem a concorrência de suas próprias edições digitais e das outras mídias como a TV, os blogs de notícias e as tais redes sociais.
Os jornais prezam seus espaços, vivem de anúncios, mas, no meu perceber, perdem ao publicar artigos de gente e fatos de outras paragens, sem identidade com o leitor que não os decifram. O leitor trabalha, estuda e se locomove em tempo duro de viver. Resta pouco para a leitura segmentada e cada um quer cor local, intrigas, esportes e notícias. Escritores/jornalistas nacionais, mediados à custa, quiçá, de “jabaculês”, são reproduzidos. Não bastam as televisões e suas redes? Somos obrigados a ler baboseiras dos ditos famosos. Cada jornal deveria, ao meu pensar, cuidar do seu leitor/assinante, da sua região e dos problemas locais ou regionais. Não pode ser do mundo. Aí tudo fica sem análise, sem crítica.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 05/05/2013.

