Hoje é uma troca de bilhetes. O meu foi a lápis no nascimento da “Ferrugem”, filha sardenta. Hoje, mãe de três lindas filhas. Ela emoldura o final.
02.07.1973 – Esta carta é a sua apresentação ao mundo que a recebeu neste julho das férias, do sol, dos ventos do Ceará de 1973. Carta patética de um pai para uma filha recém nascida. Sua mãe deu-lhe a luz e eu, o mundo que é todo seu. Seu para poder explorá-lo, amá-lo e gozá-lo. Seu sem reservas, sem peias, sem medo. Não lhe prometo tradições. Sou como sou. Homem com defeitos. Homem que nasceu para viver com liberdade. Que nasceu para lutar e conseguir. Para se alegrar com suas vitórias e esconder os desencantos.
Não lhe prometo riquezas; prometo muito trabalho. Não lhe prometo riquezas. Prometo muito trabalho. Não lhe prometo glórias; prometo muita luta. Não lhe prometo felicidades; prometo amor, por toda a vida. Quem me dera pudesse lhe dar tudo. Tudo não será possível. Vou ter que lhe negar. Vou ter que ser pai. Pai como sinônimo de amigo. Liberal, atualizado, risonho.
Sisudo, se for preciso. Prometo ir vendo o mundo mudar. Na mudança, ir guiando-a. Guiando de leve, sem força, com ternura. Já fiz as minhas promessas. Lutarei para cumpri-las. Não lhe peço nada em troca. Você já é muito para mim.
02.07.2013 – Pai, obrigada pelo mundo! Tenho explorado, amado e gozado o melhor que posso. O mundo mudou muito, mas acredito que o princípio para viver e ser feliz continua o mesmo: amar e ser amado. Hoje me sinto amada e sinto um amor enorme por você. Ferrugem.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 07/07/2013

