Esta semana resolvi diminuir a quantidade de recortes de jornais que amontoam pastas em casa. Sempre que tento “me organizar”, dá uma pena imensa. Agora, por exemplo, estou em dúvida se devo jogar fora um trabalho de Adriano Schwartz, teórico literário, escrito em 21.12. 2004, para a FSP, no extinto “Sinapse”. Ele resolveu fazer um teste com os leitores para verificar se sabiam de algumas manias ou curiosidades de escritores.
Vou citar algumas, com alguns adendos meus:
1. Sobre Clarice Lispector: ela participou de um congresso de bruxaria na Colômbia, em 1975, quando falou sobre “Literatura e Magia”.
2. Cristovão Tezza, da nova geração de autores, escreve os seus romances à mão. Deu a José Mindlin, bibliófilo e leitor, os originais de seu romance “A Suavidade do Vento”. 3. Cecília Meireles esperou em vão, em dezembro de 1934, no café “A Brasileira”, em Lisboa, por Fernando Pessoa. Hoje, há uma estátua dele por lá. Depois, Pessoa mandou um livro seu, com desculpas: “Cecília Meireles, alta poeta…”.
4. Jorge Luís Borges, poeta e contista argentino, gostava de citar o seu nome e o do amigo Bioy Casares em meio a seus contos. Ele contava, rindo, que Casares era apenas uma invenção dele.
5. José Saramago, a quem conheci em Lisboa, sempre dava um jeito de incluir cães em seus romances. “Jangada de Pedra” é exemplo.
6. Paul Auster, escritor americano contemporâneo, coloca e discute cadernos de anotações em meio a seus romances. Em Noite do Oráculo ele cita: “quando segurei o caderno nas mãos pela primeira vez, senti algo próximo do prazer físico…”. Afinal, descarto ou não?.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 21/07/2013

