O Brasil esteve quase na reta de chegada ao desenvolvimento. Aí, empacou. Estamos com crescimento gradual menor que quase todos os países do hemisfério sul, o nosso lado no planeta. A par disso, estamos jogando bilhões em áreas não produtoras de capacitação e formação de cientistas. Nem vou dizer quais são.
Todos sabem. Por outro lado, a nossa vaidade está ferida, desde o século passado. Todos sabem que, anualmente, são escolhidos cientistas, literatos e articuladores da paz pelo complexo júri do Prêmio Nobel, instituído em 1901 por Alfred Nobel, com muito dinheiro e dor na consciência.
México, Argentina, Chile e outros países não tão afamados já tiveram ganhadores. Esqueçamos os da Paz, atribuídos subjetivamente.
Fiquemos com as ciências e a literatura Não ganhamos nenhum. Semana passada, o escritor e biólogo britânico Richard Dawkins insultou os muçulmanos ao dizer que só o Trinity College, de Cambridge, tinha 32 prêmios Nobel – ou nobéis- contra 10 dos muçulmanos. Pura soberba. Deixa para lá.
Afinal, quem será o primeiro brasileiro a ganhar um Nobel de química, literatura, física, medicina ou economia? Não tenho a menor ideia. Gostaria que isso acontecesse logo. Temos o tal complexo de “vira-lata” entranhado. A língua lusitana não é culpada, pois Portugal, com 10% da população do Brasil, ganhou alguns. Não foi só o Saramago. Confiram. Há outros.
A propósito, tenho um palpite para o próximo Nobel da Paz. É argentino, mora na Itália, gosta de futebol e nos consola ao dizer que “Deus é brasileiro”.
Será?
João Soares Neto,
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 18/08/2013

