O Brasil real é diferente do que a ilusão da propaganda nos mostra.
O IBGE expõe a situação de 2012: perto de 10 milhões de jovens, entre 15 e 29 anos, não estudam e nem trabalham. São chamados de “nem-nem”. No Nordeste, chegam a 24% do todo. O que fazem esses jovens? Basta ler jornais, ouvir rádio, ver TV, olhar as ruas e as respostas aclararão. Deles, 32,4% não concluíram sequer o curso fundamental. O que esperar do futuro de pessoas sem formação para competir no seletivo mercado de trabalho?
Hoje, qualquer concurso público, exige o curso médio completo e haja
concorrência. Exemplo? 50 mil inscritos para Guarda Municipal, em uma capital. Esses jovens, mesmo sem trabalhar, procriam. As mulheres com filhos compõem 58% desse universo. A solução deles? Procuram programas sociais, como bolsa-família e outros. Não seria mais lógico investir na educação formal e profissional, na motivação de professores que fazem greves todos os anos por conta de salários baixos?
21,5% das famílias mais pobres nordestinas estão nesses programas. São 49,1 milhões de brasileiros dependendo do bolsa-família. Muitos não poderão sair do caos social que vai do Amazonas até o Rio Grande. Basta ver o crescente da população carcerária, apesar da impunidade. O contingente que declara ganhar até ¼ do salário mínimo corresponde a 36,3% da população de 200 milhões. Não são apenas números, mas o atestado de descompromisso da nação a se arvorar de quase rica. A fazer eleições nos anos pares a custos altos e resultados pífios. Além de Copas e Olimpíadas, circos armados.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 08/12/2013

