O Brasil está se preparando de forma esfuziante para receber a Copa do Mundo de Futebol de 2014. Constrói ou recupera estádios, amplia aeroportos e interfere nos problemas de planejamento urbano das cidades de modo a tornar o trânsito mais fácil neste país que mais parece a Coreia e a China dos anos 90, milhões são as motocicletas que hoje fazem uma espécie de bailado ou roleta russa em todas as estradas rurais, urbanas e rodovias estaduais e federais. O antigo vaqueiro usa moto que compra facilitada. Pintores, comerciários, bancários, mecânicos e demais profissionais usam, com direito e oportunidade, motos. Os jovens, de modo geral, querem a moto como guia de sua liberdade e meio de transporte. Isto sem falar nos milhares de consórcios de veículos que vendem aos borbotões. Não vou mexer neste vespeiro que é de todos sabido. Este será o Brasil de 2014.
Cuidemos do hoje. O que faz medo neste Brasil de 2012, dois anos antes dos jogadores entrarem em campo, é a epidemia de “crack”, a droga que chegou para ficar e infesta o país. Em pequenas, médias e grandes cidades brasileiras o “crack” está nas esquinas e acomete os que, sem esperanças, dissipam suas energias em pedras que os levam a uma degradação inigualável. Não há mais como fazer vista grossa a esse drama que o Brasil vive sem que os governos federal, estaduais e municipais somem forças decisivas e multiprofissionais para debelar as “cracolândias” que se espalham em lugares ermos, construções abandonadas e assolam jovens, principalmente.
A operação deflagrada pelo Governo de São Paulo apenas espalhou o amontoado de pessoas que definira um espaço para o uso, como se fossem invisíveis na sociedade. Hoje, hordas sem rumo, vagueiam pela capital paulista. Essas procissões de viciados clamam por olhares humanos da coletividade que os vê como párias. O Brasil não pode distinguir os seus nacionais, todos merecem – e carecem – a atenção que a Constituição diz assegurar. Há um mapa sombreado do Brasil elaborado pelo Observatório do Crack que mostra o nível de consumo em todo o país e revela o perigo que a sociedade brasileira está passando. Não são fatos isolados, é uma feia e clara epidemia que entristece e pede solução efetiva. Não fique indiferente. Veja o site www.enfrenteocrack.org.br.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 20/01/2012

