COMO VAI A CULTURA NO BRASIL – Jornal O Estado

Você lê quantos livros por ano? Você vai a teatro, shows e cinemas? Qual foi a última vez que entrou em uma biblioteca, fez um cadastro e pediu um livro para ler? Você participa de algum grupo que discuta a realidade, filosofia, história, antropologia, música, religião, meio-ambiente, saúde, cultura etc.? Você se sente feliz ao receber um livro de presente?Você tem luz de cabeceira e a usa para ler? Ou utiliza uma cadeira confortável para ler o que lhe apetece? Você tem alguma familiaridade com o assunto cultura brasileira ou acha que isso é perda de tempo? Que tal ler um pouco sobre a cultura? É instigante, veja. Conto com alguns minutos seus. Vamos lá.
Estamos em princípios de 2012 e leio uma bela análise (Cultura sem expressão) de Flávia Tavares, para o suplemento “Eu&Fim de Semana”, do jornal Valor. Nele, em que me lastreio, Flávia faz uma análise concreta, correta e isenta da política cultural brasileira e destaca que a Ministra da Cultura Ana de Hollanda sempre é notada por sua timidez e forma de ser. Ana é filha de Sérgio, um dos ícones do início do Partido dos Trabalhadores que tinha na cultura, nas fábricas e na universidade o seu tripé de sustentação. Ana é irmã do cantor, compositor e escritor Chico Buarque e sempre esteve ao lado do partido nascido em São Paulo. Entretanto, Ana é mais que isso. Ela é atriz, cantora e compositora, mas não tem a malemolência e a baianidade de Gilberto Gil e Juca Ferreira, os dois ministros que a antecederam no Minc.
Já exerceu função pública, na direção do Centro de Música da Funarte, mas nada com o relevo e as cobranças devidas e indevidas ao MinC que, com pouca verba e contas a pagar, mexe com escritores, cineastas, artistas,mídia digital, compositores, músicos e o que mais se considerar cultura, no sentido amplo. A fogueira das vaidades começou cedo. Fato natural nesse mundo que vive dos meios de comunicação social, intrigas, de projetos com recursos da Lei Rouanet, de empresas estatais, grandes grupos e assemelhados. Emir Sader, sociólogo, havia sido lembrado e convidado para dirigir a Casa Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, mas abriu a boca e falou o que não devia de sua futura superior hierárquica. Resultado: foi desconvidado.
Começava, a partir daí, uma guerra explícita contra Ana de Hollanda, inclusive com alusões à sua proximidade com integrantes do ECAD-Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de Direitos. Ana, no seu jeito simples de atuar, vai em frente e já tem um ano completo de ministério. O que se tem de concreto hoje na área é um Plano Nacional de Cultura com prioridades até o já próximo ano 2020. Afora isso, Ana esteve com Dilma apenas duas vezes e não gosta de ser entrevistada. Há rumores de sua saída. Há ciúmes e inveja. Dizem que a senadora Marta Suplicy poderia ser a sua sucessora, se Ana não for mantida por Dilma. Como dizia Boccaccio: “Apenas a miséria é sem inveja”.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 03/02/2012

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