GANHAR O NOBEL – Diário do Nordeste

Recentemente, ouvi do Embaixador húngaro no Brasil, Csaba Szjjártó, que o seu pequeno país ganhou dez prêmios Nobel. Portugal, com apenas dez milhões de habitantes, tem um. Vários países latinos (Argentina,4;México,3;Chile,2;Peru, Colômbia e Costa Rica,1 cada) possuem galardoados. O Brasil, este gigante ascendente, ainda não conseguiu. Minto, em 1960, o inglês Peter Brian Medawar, nascido circunstancialmente no Rio, co-ganhou o de Medicina. Conta?
Falou-se, há décadas, que o D. Hélder Câmara seria indicado para o da Paz. Jorge Amado sonhou e morreu. O que se sabe da Fundação Nobel que confere os prêmios é gostar de ser lisonjeada. Cito o caso de Saramago. Em 1997, o governo português contratou a empresa sueca Jerry Bergström AB, para programar visitas de Saramago à Universidade de Estocolmo, participar de seminários, autografar livros, fazer discursos e comparecer a talk-show na TV Cultura de lá. Nesse mesmo ano, a Feira do Livro de Frankfurt-Alemanha, homenageou Portugal e Saramago, lá incensado, teve seu nome veiculado pela mídia amiga da Europa.
JS gostava de frases de efeito. Reparem: “O ser humano não merece a vida”. Como ele se dizia ateu, essa afirmação é, no mínimo, contraditória. Quem dá a vida? O fato é que no ano seguinte, 1998, Portugal “foi surpreendido” com o Nobel de Literatura para o José. A essa época, ele já morava em Lanzarote, ilhas das Canárias, Espanha, e sugeriu que os dois países se unissem formando uma só nação ibérica. Ingrato. O Brasil precisa de um Nobel em qualquer área. Quem você indicaria?

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 18/03/2012.

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