CONVERSA DE FUTURO

Dia desses, ao entrar em um banco, a gerente falou que havia sido nossa estagiária. Que bom. Depois desse fato, pensei e reuni o grupo de estudantes universitários que ora colaboram conosco. Eram de diversos cursos. Rapazes e moças na faixa dos 18/20 anos. Alguns estrangeiros, provindos de diferentes países. Disse da singularidade do nosso encontro e as razões porque o fazia. Houve brincadeiras, prêmios, incentivei-os a cantar e dançar. Conversamos até sobre nossas histórias pessoais. Ao final, um lanche rápido.
Há doze anos grupos como esse se revezam e nos ajudam como estagiários e auditores, mediante convênios com universidades e faculdades, recebendo cada um o valor de um salário mínimo por mês, além de benefícios e treinamento básico. Alguns passam a trabalhar conosco. A eles falei que poderiam ter sonhos, mas precisavam saber o que queriam da vida, se empregados, professores, profissionais ou negócio próprio. Disse da minha experiência quando universitário: trabalho, jornal e correspondente de revista. Nas férias, ao viajar, levava artigos – em consignação – para vender e cobrir despesas.
Falei da necessidade de se ter metas, desafios e embasá-los na formação acadêmica, mas complementando-os com a curiosidade, a leitura e a reflexão/comportamento que, reunidos, formam a nossa (in)competência pessoal para enfrentar os desafios que a vida cobra. Fizemos fotos e lembrei que poderia ter gerado esse tipo de encontro desde a primeira turma, em 2000. Saí leve e feliz.

João Soares Neto,
escritor.
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 15/07/2012.

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