O episódio esposado por Rosane Malta, ex-Collor, mostra um lado negro da mulher dita atual. Algumas mulheres ainda fomentam a ideia de que os homens são machões, dominadores, provedores e que tais. Abandonou: pague o ônus. É importante lembrar que até séculos recentes não havia o casamento “por amor”. Na maioria das uniões prevalecia a vontade das famílias, que sugeriam, indicavam e até obrigavam a escolha. Discutia-se qual o(a) parceiro(a) mais recomendado(a) em função da raça, do status social ou político, da conveniência, das relações de amizades/negócios dos pais ou dos interesses.
Só há pouco, quando a mulher desvendou a sua sexualidade, foi que apareceram o amor e a insubordinação. Vou casar porque quero e não me importo o que (pai/mãe) achem. Entretanto, ainda há parcela remanescente de mulheres que acreditam ser o casamento um fim em si mesmo. Espécie de profissão, fonte de divisas, ascensão e seguro.
Assim o fez a citada Rosane que sequer teve filhos com o “réu” Fernando. Apesar disso, acha-se no direito de viver das “culpas” de seu ex-marido. Não contente, “revelará” em livro de “ghost writer”, “faces” do caráter e comportamento de quem deve sustentá-la “de um, tudo”.
Por outro lado, mulheres que estudaram, trabalharam e se profissionalizaram sabem que a única certeza na vida é a mudança. Cuidam elas de dar outra significação às suas relações afetivas, sejam casamentos, uniões ou circunstanciais. Se todos são os sujeitos do próprio destino, como esperar que alguém arque com a vida futura de quem nada mais tem em comum?
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 29/07/2012

