IVENS, UM TRABALHADOR SINGULAR – Jornal O Estado

Três homens simples, nascidos no interior do Ceará, nas décadas de 10(José Macedo), 20(Edson Queiroz) e 30(Ivens Dias Branco) do século passado, são, ao meu olhar, os responsáveis por grande parte do recente e atual desenvolvimento econômico cearense. Foram tão vanguardistas, como empreendedores, que essa palavra sequer existia. Já falei a respeito dos dois primeiros, José Macedo e Edson Queiroz. Agora, chega o tempo de falar de Francisco Ivens de Sá Dias Branco, que, na sua lúcida maturidade, é reconhecido como exemplo e referência, sem barreiras nacionais.
Conheci Ivens Dias Branco de forma indireta. Eu era meninote, morava na casa dos meus pais na Rua Mons. Otávio de Castro, no Bairro de Fátima, e ia às mesmas missas que o Sr. João Antônio Saraiva Leão, nosso amigo e quase vizinho, frequentava. O Sr. João Leão, assim conhecido, era católico, chefe, com d. Maria Amélia de família religiosa, missal a mão, composta de Consuelo, Tetezinha, Ruth, Veleda e Lúcia. Maria Consuelo, tempos depois, viria a casar-se com Ivens. Na nossa casa havia telefone – coisa rara na época – e, algumas vezes, Ivens e Consuelo conversavam através do número 5127.
O tempo decorre, e em 1976, após viagem pela Europa, Ivens nos convida à sua casa na Av. Antonio Sales. Foi nessa época que o conheci de perto. Sério, mas leve nas conversas sociais, mostrou-se pleno de leitura e informação sobre o mundo e os negócios. Tinha entusiasmo em contar sobre suas atividades e planos de futuro, não como vanglória, mas com a energia de quem estava no limiar da sua meta de jovem quarentão.
A BR-116 foi o caminho que já trilhara e a Fábrica Fortaleza ali se completou sendo ajustada, passo a passo, ao que hoje é. Arborizada, estruturada arquitetonicamente, e, com dimensões de layout industrial imponente, transformou-se em ícone consagrado de um conglomerado de sucesso. A M. Dias Branco S.A. granjeava respeito e reconhecimento por sua pujança e solidez. Dali se espraiou com, paradoxalmente, cautela audaciosa, para todo o Brasil e se fez líder verticalizada de sua área de negócios em trigo, massas e óleos vegetais. Permitindo-se ainda incursionar por círculos imobiliários com aprumo e eficácia.
Recentemente, Ivens foi homenageado pela Sociedade Beneficente Dois de Fevereiro na presença de alta autoridade governamental portuguesa. E lá fui não para lisonjeá-lo, que disso não sou. Fui por apreciar seus méritos e compartilhar, como conterrâneo, da alegria de toda a sua família ao vê-lo receber a honraria que a pátria de seu mentor e pai, Manuel Dias Branco, lhe outorgava.
Este pequeno e despretensioso apontamento é apenas um ato de consideração a alguém que dedicou sua vida ao trabalho, sem perder a singularidade, sempre acreditando que há algo novo a ser criado de forma bem feita. E assim o fez. E faz.

João Soares Neto é empresário e escritor. Autor de 7 livros.

João Soares Neto
Cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 24/08/2012.

Sem categoria