As alamedas e as praças plenas de árvores da exuberante Universidade de Fortaleza-Unifor ficaram apinhadas de gente e carros na manhã da última segunda-feira. Mil pessoas estavam para ver e ouvir, em um grande salão central com teto diáfano e temperatura amena, enquanto outros tantos se espalhavam, em seis espaços, a partir do “Celina Queiroz”, munidos de telões e áudios-fone para tradução simultânea, se os desejassem.
Por trás do palco, surge a figura longilínea e empertigada de um homem grisalho e em boa forma para os seus 66 anos. Usava calça e paletó azuis escuros, camisa branca, gravata com listras azuis claras e brancas transversais. No pulso esquerdo um relógio de plástico preto e no segundo dedo a sua aliança de casamento. Ele, por vontade de seu povo, morou por oito anos na Avenida Pensilvânia e pôde sentir, após sua mudança daquela casa gradeada e assombrada, que o mundo é muito mais que o poder e a glória de ter sido aclamado e reconhecido, ao final, por altos índices de pesquisas.
Usava óculos na ponta do nariz aquilino para acessar os papéis que lhe serviam de guia. Não era um “speaker”, no sentido inglês da palavra. Era um idealista, quase um utopista, não o descrito por Thomas Morus, mas alguém que se sentiu tocado pelos males da humanidade. Tornou-se um cavaleiro de uma nova mensagem: a sustentabilidade, palavra ainda confundida por marketing social, sem que coajam nas instituições que imaginam abraçá-la o comprometimento e a ação de seus dirigentes efetivos.
A Unifor quis mostrar a sua cidadania corporativa e ouvir ideias novas e sutis de Bill Clinton para atuar em um mundo em transformação que, afinal, precisa crescer sem dizimar a natureza, diminuir as desigualdades, usar energia limpa, ter responsabilidade na cooperação entre pessoas e povos e fazer isso de forma clara e definitiva. Sem alardes.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 02/09/2012.

