Em novembro teremos mais uma Bienal do Livro no Ceará, agora no Centro de Eventos. A propósito, há queixas recorrentes de visitantes, autores e editoras sobre as Bienais, agora em São Paulo. Raul Wassermann, ex-presidente da Câmara Brasileira do Livro e editor da Summus, diz: “O tempo passou. Veio a informática, passamos dos estandes dos anos 1970, armados a tábuas e pregos, às tentativas de nos tornarmos a Frankfurt dos trópicos”. São Paulo não se tornou a Frankfurt das Américas e, quiçá, uma Buenos Aires. Wassermann diz que nos esquecemos de criar leitores. Uma Bienal não deve ser feita apenas para cumprir calendário, mas trazer algo novo em ideias e não apenas repetir os mesmos cansados expositores e os grandes saldões de livros encalhados, misturados com a autoajuda que se esvai na cabeça de quem tem Paulo Coelho como referência literária.
Esquecer os leitores é uma característica do Brasil atual. Sabem a razão? Todos temem escrever acima do que pensa o “brasileiro médio”. E quem será esse médio? Os leitores de jornais diminuem e crescem noveleiros e amantes de lutas. A morte da apresentadora Hebe Camargo mereceu mais destaque que o centenário de Jorge Amado e Nelson Rodrigues.
Claro que Hebe Camargo foi ídolo da televisão, mas não dos que a desejam informativa, lúcida e imparcial. Bienal de Cultura não é apenas um destino de passeio para estudantes que não se aquietam em um salão para ouvir, por exemplo, sobre Monteiro Lobato, um grande escritor, não só infantil, mas para adultos como “A Barca de Gleyre”.
João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 21/10/2012

