SANDY E JORGE – Jornal O Estado

Garanto a vocês que não vou falar de dupla sertaneja. Preste atenção. O Brasil saiu ileso de mais uma eleição municipal, apesar de ataques e contra ataques. Porém, 20% não votaram em ninguém. É um sinal. Os eleitos prometem. Há crimes, mas a natureza nos garante sol, nenhum furacão nos atormenta, o progresso nos convida à parceria, o Neymar está de cabelo novo e “Salve Jorge” entorpece os que não leem.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, país maior do que o imaginário sobre compras em Nova Iorque e Miami e diversão nas Disneys, sofre horrores com o ciclone “Sandy” que dizima o encontrado pela frente. A temporada de furacões vai de março a novembro, todos os anos, na América que se prepara para uma dura eleição presidencial na próxima terça.
Desde 2009, os EUA, têm uma nova cara, a da pobreza realçada pela crise econômica do ano anterior e a chegada de um presidente negro à Casa Branca, o velho e assombrado prédio da Avenida Pensilvânia, 2600, Todo o tempo cercado de manifestantes. Democracia tem disso.
Conheci os EUA ainda envolto em problemas raciais sérios, emendado com os assassínios dos Kennedy, John e Robert. Depois, Richard Milhous Nixon foi obrigado a renunciar, por conta de espionagem no partido adversário, o Democrata. Se espionagem desse impeachment no Brasil poucos homens públicos – e até interesses privados – ficariam ilesos. Hoje, as escutas telefônicas, filmagens e a invasão da Internet são comuns na vida política nacional que usa guardiões. Não é sem razão que o Brasil está na linha de frente dos “hackers” em todo o mundo.
Terça, como disse, Barack Obama e Mitt Romney estarão sendo votados para Presidente da América. Lá, vota quem quiser. Não há a obrigação de se votar. De um lado, um advogado, filho de africano culto, altamente qualificado por sua formação acadêmica harvardiana e política – hoje presidente -enfrentará um Wasp (branco, anglo-saxão e protestante), também ex-aluno da Harvard University, rico de nascença que ficou ainda mais endinheirado, ex-governador do próspero estado de Massachusetts e evangélico – ex-bispo – da singular seita Mórmon.
Na quarta, ao acordarmos, o mundo será o mesmo? Nenhum dia é igual a outro. Mas, a Europa continuará em crise, o Chile persistirá atônito com a abstenção de quase 40% dos eleitores na eleição municipal de domingo passado. O camareiro do Papa permanecerá prisioneiro domiciliar no Estado do Vaticano. Velhuscos europeus descerão em aeroportos nacionais sedentos de aventura. Judeus e árabes trocarão ameaças. Jornais brasileiros falarão de Dilma, Lula, Dirceu, STF, Eduardo Campos, Haddad e do exílio de Serra.
A noite, milhões de brasileiros, de todos os partidos, estarão de olhos postos em “Salve Jorge”. É a Glória, Perez.

João Soares Neto
Cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 02/11/2012.

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