Agora que o fim do mundo se foi sem nos levar, poderemos comemorar o Natal. E perguntei a um homem do povo: se você tivesse dinheiro para comprar uma cesta de natal a quem daria?. Respondeu: Ao da minha raça, o Dr. Joaquim. Ontem, um sapateiro/engraxate, que conhece todos os cantos onde ando, pediu uma grana e falou que ia viajar para o interior. Agradece: Deus o abençoe. Semana que vem ele volta. A mesma conversa de sempre.
Neste começo de noite, recolho-me para cumprir estas linhas e antevejo o fim do ano, mas ninguém me explicou porque o peru é quem tem que paga o pato na ceia natalina. A propósito, há poucos dias, dialogava com um político em fim de mandato Ele dizia uma frase que ficou martelando: “política é para rico besta e pobre sabido”.
A sabedoria é diferente da sapiência, mas até bem pouco não se notava a diferença. Parece que neste Natal os sabidos estarão preocupados. Há no mundo uma mudança de ares e de cores. Sai, pouco a pouco, o branco anglo-saxão e emerge o amarelo da terra de Lao Tse. Países oscilam. Cá por nossas bandas os netos de escravos estão comandando o ainda maior país do mundo e duas cortes superiores brasileiras. É tempo de mandar a prepotência para o brejo, a falácia recolher-se em contos de fada ou botecos e os que se imaginam permanentes em qualquer coisa que leiam os obituários.
Gilberto Freyre, amado e odiado, dizia ser o Brasil o país das impossibilidades possíveis. Mas é Natal. É um breve tempo de reflexão, de encontros e fraternidade. Seria bom que fôssemos verdadeiros, sem farsas ou disfarces, como os do Papai Noel. Feliz Natal.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 23/12/2012

