O DIA EM QUE MATARAM O PRESIDENTE – Jornal O Estado

Quis o destino que conhecesse Elano Paula e Chico Anysio no final da década de 60. Era eu pretensioso a ponto de conversar com eles, pensando falar de igual para igual. Imagine! Mal saído da universidade, conheci os dois irmãos e amigos, já consagrados.
Elano, engenheiro civil e empresário, tinha um pé no concreto, outro no rádio e na televisão. Veio ter à Fortaleza para fazer o novo em termos habitacionais e gestão empresarial, no tempo em que o computador era um grande móvel e precisava de climatização constante para funcionar sem problemas. É o letrista da música “Canção de Amor”, que imortalizou Elizete Cardoso, tem vários livros publicados, sabe pintar e é um conversador nato.
Chico Anysio ou Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho. ator, era e é como aquele polvo alemão, o Paul, que adivinhava o resultado dos jogos da última Copa do Mundo: sabe de tudo, antes. Atua, escreve livros, dirige, pinta, gosta de casamentos, filhos e de cavalos, tem mais de mil faces, bastando rodopiar no palco de cara limpa – ou não – para ser quem ele quiser. Tornou-se, por obra e graça de seu talento e profissionalismo, o maior humorista do Brasil.
Eles, cearenses, do Rio e do mundo, têm um amor declarado à cidade de Maranguape, onde nasceram. Há poucos anos, me convidaram para participar com os dois de um projeto novo: um blog com o nome Maranguape. Fiquei orgulhoso pela formação do trio e pela lembrança, pois a vida, o espaço e o tempo nos separavam. Agora, mais uma vez, sou surpreendido. Convidam-me para escrever a orelha do livro “O Dia Em Que Mataram o Presidente”, que fizeram juntos.
Eles, Elano e Chico, acostumaram-se, desde há muito, a trabalhar na área da literatura a quatro mãos. Esse novo livro é um romance brasileiro na feitura, personagens e enredo. Começa com um sequestro no Rio, perto do Arsenal de Marinha; explode um Boeing em Buenos Aires; um Senador da República, com a sua jovem e bela amante, sobe a serra de Petrópolis para encontro em fazenda da família; e, entre outros cenários, aparece o Planalto Central onde novas tramas são urdidas para matar o Presidente da República em Fortaleza.
O leitor deve saber que livro é um objeto precioso, de validade indeterminada, silencioso, sempre à disposição, sem nada reclamar. Esse livro vai torná-lo, se já não o é por natureza, curioso. Tão intensa é a sua exposição não linear que cada página poderá transformar o texto escrito em imagens mentais televisivas de um verdadeiro folhetim policial. As cenas irão sendo criadas pelo próprio leitor, acredite. Ele terá a oportunidade de saber como funcionam as cabeças de pessoas geniais como o Elano e o Chico. Duas palavras finais, orelha de livro serve também para marcar a página em que se para de ler. Nesse caso, penso que o leitor só parará na última que, por sinal, tem algo a ver com a primeira. É só aguardar o lançamento.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 14/01/2011.

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